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sábado, 4 de outubro de 2014

Antologia da gente que passa (8)


                                                   Augusto de Castro
                                  escreveu "A Voz dum Papa"

(1810 -  1903)

"(...) Leão XIII, nascido ainda durante o agonizar da águia napoleónica, morreu nos primeiros anos do século actual. Viveu quase um século. Não o conheci, é claro. Mas a forte tradição que a sua personalidade deixou em Roma foi tal que posso dizer que frequentes vezes, entre as sombras do Vaticano - que durante vinte e cinco anos de Pontificado ele iluminou com o seu génio - encontrei a sua sombra branca, os seus olhos pequenos, negros, de ave inquieta, o seu perfil de medalhão e os ecos daquela voz incansável que, num momento, resumiu o mundo.

Tinha sessenta e sete anos quando o Conclave, em 1878, o elegeu Papa. Era já então o mesmo velho extremamente magro, pálido como um círio, o rosto de marfim, malicioso e vivo, que Zola nos havia de descrever dezoito anos mais tarde.

Um dia, tinha já passado os noventa anos, recebeu em audiência um sacerdote, seu amigo de infância e velho companheiro de Carpinato, que fora a Roma visitá-lo. À despedida, o pobre padre, prostrando-se aos pés do Papa, pediu a benção pontifical, dizendo comovido:

- Não nos tornaremos a ver, Santo Padre. Sinto-me morrer. Nas minhas orações, nada pedindo para mim, rogo sempre a Deus que permita que Vossa Santidade chegue aos cem anos.

- É bom não pôr limites à Misericórdia Divina - atalhou, sorrindo, Leão XIII, que ainda não se cansara de viver."




quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Do lido, o sublinhado (40) - Bill Clinton






Do livro "A Minha Vida"






"Em Junho, tendo como pano de fundo a campanha presidencial, centrei-me em duas questões: a educação e a preocupante vaga de fogos postos em igrejas negras de todo o país. Na cerimónia de atribuição de diplomas da Universidade de Princeton, apresentei um plano para abrir as portas do ensino superior a todos os americanos e tornar pelo menos dois anos de ensino superior tão universais como o ensino secundário: um crédito fiscal de 1500 dólares durante os dois primeiros anos de ensino superior, inspirado nas Bolsas Esperança da Geórgia, equivalente ao custo médio das propinas da escola oficial frequentada; uma dedução fiscal de 10 mil dólares anuais para todo o ensino superior que ultrapassasse os dois primeiros anos; uma bolsa de mil dólares para os alunos finalistas que se classificassem entre os melhores 5% de cada estabelecimento de ensino secundário, fundos para aumentar as vagas no ensino superior destinadas a trabalhadores-estudantes de 700 mil para um milhão; e aumentos anuais das Bolsas Pell, destinadas a alunos de menores recursos.

Em meados do mês, desloquei-me à Escola Básica do 3º Ciclo de Grover Cleveland, em Albuquerque, Novo México, para apoiar o programa comunitário de recolher obrigatório, um dos vários esforços similares que se faziam em todo o país para obrigar os jovens a estar em casa após uma determinada hora: estes tinham conduzido a uma diminuição da taxa de criminalidade e a uma melhoria da aprendizagem. Subscrevi igualmente a política de obrigatoriedade de uso de uniformes escolares nas escolas do ensino básico. Quase sem excepção, as áreas educativas que exigiam o uso do uniforme registavam uma maior assiduidade dos alunos, menos violência e melhor aprendizagem. Também as distinções entre alunos pobres e alunos mais ricos diminuíam."

quinta-feira, 18 de julho de 2013

À memória de Camilo

Ir a Seide. Entrar na Casa de Camilo. Rever nas referências expostas o que as referências podem dizer de um homem como Camilo. Ler o que em "datas, factos e comentários" está, em livro, disponível para que a aproximação ao homem, ao estudante, ao amanuense, ao autor dramático, ao político, ao preso, ao jornalista, ao amante, ao pai, ao comendador, ao escritor de pena fácil e tesouraria difícil, ao desesperado que se suicidou.

Mas não sair da sua casa em Seide, sem olhar a paisagem que o rodeou quando pôs fim à vida.

Olhar Seide, sim, um pouco de Seide, para tentar perceber, com saúde, o que a loucura injustamente pode fazer ignorar quem à vida se dá excessivo ... Ver o Belo onde, para Camilo, o Belo já não era ...


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Biografias e biografados

Hoje, para ser verdadeiro como me cumpre, apetecia-me iniciar esta quase espécie de diário a escrever sobre biografias e biografados - coisas assim ... Mas não o vou fazer. Ainda estou "cheio" do que vi no filme José e Pilar. Mas, um dia destes, vou reabrir aqui "Palavras Cruzadas" com o que vários disseram de si ou dos outros ... E, nessa altura, talvez reapareçam, nomeadamente, Saramago e outros que fizeram história. Ou, no seu anonimato, tiveram alguma importância no meio em que viveram ...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Lembrar Lima de Freitas

O título desta mensagem, assinado por um comum, pode acabar por parecer excessivo. No entanto, é respeito, que, apesar de tudo, quer dizer admiração, memória, Mestre, e tudo o que um "estranho" pode ser que lhe lembre quem partiu - e parece que está, ou está mesmo ... 


De um apontamento que assinei em 2006:


"Na antologia, poemas e traços. José Régio com Lima de Freitas, Augusto Gil com Lima de Freitas. Lima de Freitas com ... Lima de Freitas com ... De repente, a surpresa! Um cartão de visita a marcar a página, a referenciar poema e traço:


Lima de Freitas, rua Ribeiro Sanches, 24-3º - 1200 Lisboa, telefone 602447.


"Já não está ..." - murmuro. Mas logo, na cultura, olho à volta, o reconforto: "tenho aqui, no seu lápis de mestre, o que ficou". E sossego na recordação de uma troca de cartões, a caminho do Porto, para o encontro que falava de portugueses e de "uma cultura a preservar". Isso: "uma cultura a preservar."


domingo, 22 de julho de 2012

O fotógrafo estava lá ... Dois momentos

No lançamento do livro de M.A., Subsídios para a biografia de Matzinger, o "fotógrafo" fixou o excelente apoio familiar (MTZ) de retaguarda e "surpreendeu" o sinal de bis vindo da mesa para a bem documentada sequência de imagens prévia e cuidadosamente preparada. Ficam dois registos para a história de um fim de tarde para recordar.                                                                                                 
























quinta-feira, 19 de julho de 2012

"Para uma biografia de Matzinger, o austrolusoXADREZISTA"

O lançamento do livrinho em epígrafe teve lugar, hoje, no salão do Centro Social de Santo António dos Cavaleiros, com a presença de cerca de 80 a 100 amigos do biografado.

Tentei, na oportunidade, ser breve para que, também ali, o nome importante fosse o do austrolusoxadrezista, a quem, há algumas décadas, sugeri que aprendesse a jogar xadrez ...


"A Espécie de Biografia que aqui hoje sublinha este encontro, são cerca de quarenta folhinhas de papel que, ainda que lidas, vão amarelecer, mas ... Mas deixem-me contar uma pequeníssima história: a daquela professora que, chegada ao fim da sua carreira (apesar de tudo, não será o caso ...), lamentava o seu natural afastamento da escola. Foi então que alguém usou da palavra para lhe dizer:


- Senhora professora, a senhora só nos deixará quando nos deixar o último dos seus alunos.


É isso, MTZ, não é a espécie de biografia que tive o prazer de escrever, e que provoca este Encontro, que te vai eternizar, para além da família. São os teus pupilos do xadrez - são esses que te vão continuar..."


Carta aberta a MTZ


Lamentavelmente, meu Caro, os pupilos, há que registá-lo, não estiveram presentes na tua festa.  A ingratidão tem sempre rosto. A gente é que nem sempre lhe apetece revelá-la - sobretudo, em público. Teria gostado, no caso, de ver-te rodeado de uma parte dos muitos "alunos" jovens que cheguei a encontrar em várias das tuas aulas de xadrez ao longo de anos. Acredito que, pela tua parte, não deixaste de os convidar - convidando, do mesmo passo, as respectivas famílias. Mas é assim. Sem surpresa, diria.


Pela minha parte, regista, não fiz, nunca pretendi fazer, "um romance". JAMAIS! E sinto-me assim bem - pago em sorrisos, em tempo de avarezas e incompreensões. Pouco inteligentes - umas e outras. Um abraço.















quarta-feira, 18 de julho de 2012

Para uma biografia de Matzinger, o austrolusoxadrezista

O convite renova-se (abrir em 15 de Julho de 2012). 
A "obra" é esta ... 
Foi feita com o coração. Apareçam.




domingo, 15 de julho de 2012

para a biografia de Matzinger, o austrolusoxadrezista

Anote, anota (visitante regular deste blogue, ou não) 


este Convite é para si, é para ti - quiçá, entusiasta do jogo de xadrez


Apareça, aparece - em mangas de camisa, como se costuma ir para uma festa informal onde é lançado, por exemplo, um livrinho, que, no caso, acresce, desde sempre, não pretendeu ser mais do que um contributo "para uma biografia de ...". 


Reproduz-se o CONVITE para o lançamento da obra simpaticamente apoiada, em particular, pela Junta de Freguesia de SAC, para amigos/conhecidos de Matzinger, o austrolusoXADREZISTA, ou do signatário. Um dia há-de vir quem produza mais densa escrita, mas não, por certo, mais preocupada com o rigor do essencial do que a que, agora, houve o prazer de esboçar - e aí vai ficar para filhos, netos e outros que gostam de MTZ ou/e de Herbert Matzinger, o homem que veio das valsas dançar outras modas - em Santo António dos Cavaleiros.


Um abraço do Marcial Alves - ruadojardim7



domingo, 27 de maio de 2012

Para uma biografia ...

"São imagens que alguém nos gravou na memória, as depurou do que fosse a sua circunstância e aí as deixou para sempre. A de uma tarde de calor imóvel e intenso. A de um plaino de neve. A de um vento e chuva de invernia. A da ascensão de uma lua enorme. A de uma praia deserta no Outono. Lembrar uma vida inteira em função dessas imagens fugidias e nítidas no seu aparecer. Ou pensá-las nos breves e impressivos acidentes que sobreviveram no imenso do mais que se afundou. Toda a biografia é uma rede de sinais que apontam o vazio do que jamais poderemos saber. Mas é nesse vazio que falta que está a razão do que chegou até nós."

V. F. in Escrever











quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Para uma biografia de Matzinger, o austrolusoXADREZISTA"

À atenção de Herbert Matzinger e de quantos lhe são próximos na ruadojardim7


Terminei há dias um esboceto de biografia de um dos meus companheiros de jardim. Não de um dos que, normalmente, se entretêm com os jogos de cartas, animados com uns salgadinhos de política, de futebol ou com pedaços da porca da vida. A resenha breve agora concluida é acerca da vida, sobretudo, desportiva de ... de um entusiasta de xadrez, que "quer" que toda a gente se ginastique na modalidade ... O que é uma boa intenção, concordemos. Mas ...


Vergílio Ferreira, nem de propósito, agora, aqui, eleito que está o tema memória.


"São imagens que alguém nos gravou na memória, as depurou do que fosse a sua circunstância e aí as deixou para sempre. A de uma tarde de calor imóvel e intenso. A de um plaino de neve. A de um vento e chuva de invernia. A da ascensão de uma lua enorme. A de uma praia deserta no Outono. Lembrar uma vida inteira em função dessas imagens fugidias e nítidas no seu aparecer. Ou pensá-las nos breves e impressivos acidentes que sobreviveram no imenso do que mais se afundou. Toda a biografia é uma rede de sinais que apontam o vazio do que jamais poderemos saber. Mas é nesse vazio que falta que está a razão do que chegou até nós."


Toda a memória é uma memória incompleta. Pelo meu lado, tentei resumir uma, num jeito quase provocatório para que, com o que falta, após leitura do escrito, a conversa recomece - e vá mesmo até ao último dia da sua possibilidade ...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Verbo ocultar


Já o 25 de Abril arrolara coisas boas e coisas más. Já do Brasil estava de volta quem para lá fora "fazer vida", já ninguém, ou quase ninguém, falava nesse processo, quando, ainda insafisfeito, alguém quis, publicamente, "lavar a honra"... Coisa legítima e séria.


Contratou biógrafo a tempo inteiro, deu-lhe gabinete amplo, disponibilizou-se, e disponibilizou secretariado bastante, forneceu-lhe "dossiers" às dúzias, papéis às centenas, telefones (directos e indirectos) os necessários.


Elaborada e aprovada, de imediato, a estrutura geral do "a fazer", ter-se-ão iniciado as indispensáveis consultas e "investigações" intestinas.


Ia ainda, contudo, a "procissão no adro", e eis senão quando, de repente, deu-se pressa o biografado, chamou o minucioso biógrafo e ordenou, vamos lá saber porquê: "faça-me apenas um resumo..."


"Resumo de quê?..." - ter-se-á ouvido.


E mais não se soube. Nem o 25 de Abril, que tudo sabe...

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