Disseram-me agora (65 anos depois) que este desenho, atendendo ao sugerido, "está bem feito" e, numa altura em que, se alguma coisa tento rabiscar, além de palavras, pouco mais é, talvez seja tentado a aproveitar o pretexto e lembrar os bons colegas (e o querido escultor/professor Ruben, da Nuno Gonçalves, a funcionar nas instalações da velha Veiga Beirão, em Lisboa, "Vigaristas da Baixa"), que ainda por aí andam a respirar, cheios do passado que não destruíram, para reaparecerem. Documentados ou não.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
domingo, 8 de novembro de 2015
António Maria LUCAS - tipógrafo e revisor de Aquilino, presente!
Sem certeza absoluta, mas ía jurar que o pai de Ana Maria Lucas, cujo curriculum está "aqui ao lado", era, à noite, linotipista (compositor mecânico) do Diário de Notícias, nos anos 60 "do século passado": ANTÓNIO MARIA LUCAS, que aqui se recorda, com saudade - saudade pelo trato, pela cultura e pelo facto de, dizia-se, ser, na Bertrand, revisor da obra do escritor AQUILINO RIBEIRO, autor de O Malhadinhas, Andam Faunas pelos Bosques, Quando os Lobos Uivam, Terra de Demo, para citar alguns livros de que a memória se serve.
Mas é ANTÓNIO MARIA LUCAS que me "provoca" esta evocação, mais do que tudo, para sublinhar um pormenor que sempre achei interessante: quem copia a cultura dos outros, sobretudo se tem "qualquer coisa lá dentro", acaba por, sem dar por isso, absorver saberes alheios e ... e, por vezes, recriá-los sob as mais diferentes formas. Os velhos tipógrafos, por exemplo, eram, são, um, penso, inequívoco exemplo disso. Razão bastante para, a "essa gente" (quase desaparecida), dedicar, sem pretensões, esta conversa de jardim que, não tendo mérito especial, regista um "pormenor" que está, quiçá, por sublinhar. Injustamente.
Tomo, pois, António Maria Lucas como referência e deixo, para o que der e vier, o apontamento/homenagem a uma profissão, em boa parte, substituída, por "esta coisa", que torna quase anónimo o conhecimento - à força de tanto o somar ...
Repete-se: António Maria Lucas (tipógrafo) revisor da obra (d'alguns livros, não de todos, de certeza) de Aquilino Ribeiro.
Fica escrito. Acrescente-o ou negue-o quem souber. Que a homenagem aos tipógrafos é devida. E essa vai ficar. Aqui - e tão simples quanto é o que nasce numa conversa de jardim. Agora, então, que a política tem parlamentos por todo o lado ... E é tema central. Sem homenagem a ninguém. Nem a nada.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Nós e os nús em Londres - 1971. Boa noite, bom dia (?), Halina!
in Wikipédia *
"Hair: The American Tribal Love-Rock Musical é um rock-musical escrito por James Rado e Gerome Ragni, também autores das letras das músicas criadas por Galt MacDermot. Produto da contra-cultura hippie e da revolução sexual dos anos 60, muitas de suas canções tornaram-se hinos dos movimentos populares anti-Guerra do Vietname nos Estados Unidos.
A profanação de valores embutida no musical, sua descrição do uso de drogas ilegais, tratamento da sexualidade, irreverência pela bandeira nacional e uma cena de nu explícito, causaram enorme controvérsia (...)"
* Estamos em 1971 e viagem desejada era Londres e ... e Londres também teatro. É então que uma minha colaboradora, que tinha vivido na capital britânica, me sugere que não deixe de ir ver o HAIR, mas que vá preparado para o nú total ... Disse que sim e lá fui com minha mulher. Achámos piada à ousadia, ousadia para os lusos olhos de então, claro. Mas nunca mais esqueci, esquecemos, as recomendações da Halina, que "desapareceu", pouco tempo depois do nosso regresso a Lisboa, mas é hoje também razão desta breve nota de jardim. Para que, também aqui, tudo se veja ... Até a saudade.
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segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Olá, D. Fernanda!
Às vezes, esta NET é irritante: leva a vida a mostrar-nos desgraças, mas raras vezes está à porta das maternidades a ver sair mães e crianças felizes - ou das escolas, das gargalhadas da miudagem, dos sorrisos dos professores, que são uma espécie e obstetras da pequenada ...
Às vezes, esta NET é irritante. Mas hoje não foi: mostrou-me a senhora, que não via há uns anos ... E trouxe-me a saudade: saudade de mim, saudade das crianças da "sua" escola, na Praça D. Miguel, em Santo António dos Cavaleiros, saudade da exposição de artes plásticas que aí se realizou com a sua colaboração e da sua "meninada" ...
É bom revê-la e, do mesmo passo, lembrar, nomeadamente, sua filha e minha ex-colega Maria João - aguerrida, interveniente. Amiga. Sensível. Disponível para uma boa gargalhada.
Estou contente por a saber aí - bem acompanhada.
A propósito: os barros que teve a amabilidade de me oferecer estão, algures, na Beira Interior, onde tento preservar "as coisas" que merecem a "eternidade".
Um abraço.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Os últimos mil escudos de minha mãe
Agostinho da Silva
"Evitarei ter demais
e gastarei sempre menos
qualquer navio nenhum cais"
"Evitarei ter demais
e gastarei sempre menos
qualquer navio nenhum cais"
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
A saudade e as terras
O calor que me aquece os pés fui eu que o provoquei feito gás em botija à espera de fósforo, comprado mal senti na cara o frio que me chegava de uma serra da Estrela pespegada a ver-me estacionar do outro lado de outras serras.
Sentei-me no mocho que lá ficara do tempo das rugas que contavam histórias à lareira, agora apagada, e diziam graças mil vezes repetidas.
Estremeci.
Que será feito daquela oliveira que escorria azeite espremido como quem ordenha?
Por onde andarão os chocalhos que, de dia, faziam parte, juntamente com o vento e as vozes das raparigas, das festas do campo?
Onde meteram a roda que minha mãe punha a cantar, lá em baixo, num Zêzere nascido na maternidade serrana?
O que fizeram aos apitos dos combóios que nos ajudavam a acertar relógios?
Quem é que inventou as maquinetas que dizem que lavam e nos silenciou os cantares que nos chegavam da beira-rio?
Que odores são estes que em nada se assemelham aos que nos traziam as flores do campo?
Que trajar vem a ser este que já não nos permite adivinhar roupas brancas e muito mais coisas?...
Que ar é o que nos obrigaram a respirar e que cheira a máquinas e, imagine-se, dizem que se avaria?...
Que fizeram dos teares que provocavam cantigas e pariam as lindezas do trajar?
Onde se meteram os músculos que, ao fim da tarde, suados, nos passavam à porta rodeados de pedaços de campo?
Que fizeram do estrume que, nesta altura, cheirava a Presépio?
O que será feito do velho meio quartilho nas tascas da beira-estrada?
Porque será que agora só se pode rezar na igreja da aldeia quando o senhor padre manda tocar o sino?
Oh, meu Deus! Como está tudo mudado ... Nem uma desordem, peito contra peito, nada!... Diz-se que o que agora são lutas intestinas ...
Intestinas?... Está certo: do que, pessoalmente, tenho saudade é dessas, daquelas que nos obrigavam a limpar (com a vossa licença...) o cú com urtigas e outras folhas do campo, no bidé da Natureza, para que nada se perdesse...
"Olhai os lírios do campo!"
Sentei-me no mocho que lá ficara do tempo das rugas que contavam histórias à lareira, agora apagada, e diziam graças mil vezes repetidas.
Estremeci.
Que será feito daquela oliveira que escorria azeite espremido como quem ordenha?
Por onde andarão os chocalhos que, de dia, faziam parte, juntamente com o vento e as vozes das raparigas, das festas do campo?
Onde meteram a roda que minha mãe punha a cantar, lá em baixo, num Zêzere nascido na maternidade serrana?
O que fizeram aos apitos dos combóios que nos ajudavam a acertar relógios?
Quem é que inventou as maquinetas que dizem que lavam e nos silenciou os cantares que nos chegavam da beira-rio?
Que odores são estes que em nada se assemelham aos que nos traziam as flores do campo?
Que trajar vem a ser este que já não nos permite adivinhar roupas brancas e muito mais coisas?...
Que ar é o que nos obrigaram a respirar e que cheira a máquinas e, imagine-se, dizem que se avaria?...
Que fizeram dos teares que provocavam cantigas e pariam as lindezas do trajar?
Onde se meteram os músculos que, ao fim da tarde, suados, nos passavam à porta rodeados de pedaços de campo?
Que fizeram do estrume que, nesta altura, cheirava a Presépio?
O que será feito do velho meio quartilho nas tascas da beira-estrada?
Porque será que agora só se pode rezar na igreja da aldeia quando o senhor padre manda tocar o sino?
Oh, meu Deus! Como está tudo mudado ... Nem uma desordem, peito contra peito, nada!... Diz-se que o que agora são lutas intestinas ...
Intestinas?... Está certo: do que, pessoalmente, tenho saudade é dessas, daquelas que nos obrigavam a limpar (com a vossa licença...) o cú com urtigas e outras folhas do campo, no bidé da Natureza, para que nada se perdesse...
"Olhai os lírios do campo!"
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
"e-mails" da saudade
Tripeiro assumido, com dezenas de anos de Portugal, onde foi, profissionalmente o que é, decidiu ir "fazer vida" para a distante Austrália, depois de a ter feito noutras partes do mundo.
É hoje, pode dizer-se, um homem muito viajado, com particular interesse pelos lugares do mundo onde se fala, ou falou, a sua, nossa, língua materna, mas não o vou identificar, nem isso é importante para o caso. O que quero dizer é que os e-mails que, regularmente, recebo deste amigo, hoje naturalizado australiano, são, bastas vezes, a propósito de Portugal, mas, em particular, do Porto do seu berço, e trazem-me imagens que facilmente se descodificam numa palavra:
S A U D A D E.
Quer dizer: a saudade podia já ser muita coisa antes de, mas encontrou agora uma nova forma de se revelar inequivocamente. Com imagens dos outros, com palavras dos outros - mas com a tradução integral do que é. Tanto mais que, para eventual reforço, em regra, vem acompanhada à guitarra e à viola e é comum ouvir-se-lhe também a voz de Amália, que não é a das Montanhas Azuis, algures no outro lado do mundo.
É SAUDADE tal e qual se fala. Mais do que isso: tal e qual se sente. Tal e qual é: saber, ver, longe de Portugal, TUDO. E dizê-lo, "para cá", nessa forma "nova", que umas vezes é a Ponte D. Luís, outras o Bolhão ou Vila Nova de Gaia (até mesmo o quotidiano de S. Bento ou de Belém ...), que sei eu, a preto e branco ou não.
É hoje, pode dizer-se, um homem muito viajado, com particular interesse pelos lugares do mundo onde se fala, ou falou, a sua, nossa, língua materna, mas não o vou identificar, nem isso é importante para o caso. O que quero dizer é que os e-mails que, regularmente, recebo deste amigo, hoje naturalizado australiano, são, bastas vezes, a propósito de Portugal, mas, em particular, do Porto do seu berço, e trazem-me imagens que facilmente se descodificam numa palavra:
S A U D A D E.
Quer dizer: a saudade podia já ser muita coisa antes de, mas encontrou agora uma nova forma de se revelar inequivocamente. Com imagens dos outros, com palavras dos outros - mas com a tradução integral do que é. Tanto mais que, para eventual reforço, em regra, vem acompanhada à guitarra e à viola e é comum ouvir-se-lhe também a voz de Amália, que não é a das Montanhas Azuis, algures no outro lado do mundo.
É SAUDADE tal e qual se fala. Mais do que isso: tal e qual se sente. Tal e qual é: saber, ver, longe de Portugal, TUDO. E dizê-lo, "para cá", nessa forma "nova", que umas vezes é a Ponte D. Luís, outras o Bolhão ou Vila Nova de Gaia (até mesmo o quotidiano de S. Bento ou de Belém ...), que sei eu, a preto e branco ou não.
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
"Vigaristas da Baixa" - achegas para os arquivos
A "provocação" chega-me de um dos Veigas (na intimidade, "Vigaristas" - da Baixa. Do Carmo, se quiserem): con ta - nos tu do...
Conto mais esta ...
Porque esta antecede, pessoalmente, uma linha fundametal do que mais proventos culturais, e outros, me terá dado ao longo da vida: VIAJAR.
Viajar um pouco por "todo o lado" e disso, ter feito, pelo menos, dois livros oficialmente patrocinados: "Os Portugueses no Mundo" e "Entre Vistas nos Arredores das Montanhas Azuis".
E como é que começa? Começa ... É a história que se conta em breves linhas:
"Inventando" trabalhos escolares, que os professores da V.B. nunca pediram, acerca de alguns países com representação diplomática em Lisboa.
Para não alongar o discurso, olho à minha volta e, sem grande procura, tenho à mão:
- HISTÓRIA DO BRASIL, de Helio Vianna
- BRASIL Realidade e Desenvolvimento
e mais dois livros acerca do Canadá, por exemplo.
Qualquer deles de grande utilidade quando, anos mais tarde, quis "saber coisas" acerca de ... (não havia INTERNET ...).
Em resumo, foi na V.B. que, sem dar por isso, tudo, pouco ou muito, terá nascido.
Disse. Está no éter... Sem querer ser mais importante do que é. Mas é!... Salvo erro, é assim:
"a Cultura é o que fica depois de se ter esquecido o que se aprendeu ..."
Se me lembrar de mais, voltarei às "achegas", como me foi sugerido.
Conto mais esta ...
Porque esta antecede, pessoalmente, uma linha fundametal do que mais proventos culturais, e outros, me terá dado ao longo da vida: VIAJAR.
Viajar um pouco por "todo o lado" e disso, ter feito, pelo menos, dois livros oficialmente patrocinados: "Os Portugueses no Mundo" e "Entre Vistas nos Arredores das Montanhas Azuis".
E como é que começa? Começa ... É a história que se conta em breves linhas:
"Inventando" trabalhos escolares, que os professores da V.B. nunca pediram, acerca de alguns países com representação diplomática em Lisboa.
Para não alongar o discurso, olho à minha volta e, sem grande procura, tenho à mão:
- HISTÓRIA DO BRASIL, de Helio Vianna
- BRASIL Realidade e Desenvolvimento
e mais dois livros acerca do Canadá, por exemplo.
Qualquer deles de grande utilidade quando, anos mais tarde, quis "saber coisas" acerca de ... (não havia INTERNET ...).
Em resumo, foi na V.B. que, sem dar por isso, tudo, pouco ou muito, terá nascido.
Disse. Está no éter... Sem querer ser mais importante do que é. Mas é!... Salvo erro, é assim:
"a Cultura é o que fica depois de se ter esquecido o que se aprendeu ..."
Se me lembrar de mais, voltarei às "achegas", como me foi sugerido.
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sábado, 4 de junho de 2011
"Vigaristas da Baixa" - A aula de Moral
Conta-se em poucas palavras, que isto de "blogue" não consente grandes dissertações.
O padre Gamboa, professor de Moral na escola dos "Vigaristas", tinha marcado um trabalho de casa a partir de determinada página do livro que nos apoiava naquela disciplina, a que uns ligavam outros não ...
O respeitinho era uma coisa muito bonita naquela aula em particular, pois o padre era, nitidamente nosso amigo. Mas ... mas houve um dia em que ... em que o esqueci e ... e não fiz os trabalhos "prescritos"...
Fui para a aula, sentei-me lá para trás (não havia lugar fixo), tentei disfarçar "à brava", mas, quando menos esperava, soltou-se a pergunta indesejada:
- Marcial, o teu trabalho?...
Fiquei aterrado. "Como é que ele percebeu que eu estava em falta?..."
Não me lembro que justificações "aldrabei", mas o que sei hoje é que, de facto, "mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo"...
Onde quer que estejas, querido Padre Gamboa, DESCULPA-ME! Foi "sem querer..." Eu, como os outros, só eramos "vigaristas" nos intervalos das aulas... E o que era Moral ficou. Com ou sem catecismo.
O padre Gamboa, professor de Moral na escola dos "Vigaristas", tinha marcado um trabalho de casa a partir de determinada página do livro que nos apoiava naquela disciplina, a que uns ligavam outros não ...
O respeitinho era uma coisa muito bonita naquela aula em particular, pois o padre era, nitidamente nosso amigo. Mas ... mas houve um dia em que ... em que o esqueci e ... e não fiz os trabalhos "prescritos"...
Fui para a aula, sentei-me lá para trás (não havia lugar fixo), tentei disfarçar "à brava", mas, quando menos esperava, soltou-se a pergunta indesejada:
- Marcial, o teu trabalho?...
Fiquei aterrado. "Como é que ele percebeu que eu estava em falta?..."
Não me lembro que justificações "aldrabei", mas o que sei hoje é que, de facto, "mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo"...
Onde quer que estejas, querido Padre Gamboa, DESCULPA-ME! Foi "sem querer..." Eu, como os outros, só eramos "vigaristas" nos intervalos das aulas... E o que era Moral ficou. Com ou sem catecismo.
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
Ainda o "Diário de Notícias"
Quase a propósito do "post" anterior, uma brevíssima história do contínuo, sr. Fernandes, empregado do dito "Diário de Notícias", que quando lhe diziam se não tinha outro passo, respondia:
- Tenho, sim senhor, mas ainda é mais lento do que este ...
(desculpem estar a lembrar isto em último dia de campanha eleitoral, mas é pura coincidência...)
- Tenho, sim senhor, mas ainda é mais lento do que este ...
(desculpem estar a lembrar isto em último dia de campanha eleitoral, mas é pura coincidência...)
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Ainda os "Vigaristas da Baixa"
- Conta, avô, conta ...
- Tá bem, eu vou contar ...
Um dia o professor de Português entrou na aula, e depois de ter definido, como ele dizia, o "Objecto da lição" e o "Sumário", perorou:
- Meus amigos, em colaboração com o vosso professor de Trabalhos Manuais, vamos organizar uma exposição para criticar o português do título do jornal "Diário de Notícias", tal como está escrito no alto do seu edifício da avenida da Liberdade, em Lisboa.
Foram mais ou menos estas as palavras iniciais do, como agora dizem, setour... Que continuou ...
- O que lá está escrito é Diario de Noticias, portanto, sem acento nem no A, nem no I. E nós achamos que devem lá pôr os acentos... É uma vergonha um jornal tão importante ter ali erros destes escritos na fachada do edifício ... Vamos denunciá-los numa exposição aqui na escola. Tomem nota (e escreveu no quadro):
Diario de Noticias
quando será
DIÁRIO DE NOTÍCIAS
agora, em Trabalhos Manuais, fazem os cartazes ... Eu já falei com o vosso mestre ..."
A malta toda da turma colaborou, a exposição fez-se e o Diário de Notícias, que esteve pessoalmente representado na exposição feita a propósito na Veiga Beirão, levou ... levou mais de duas décadas para fazer a emenda no reclamo luminoso que ainda hoje encima o seu edifício na avenida Liberdade, em Lisboa.
E onde, por ironia, acrescente-se, acabei por ter o meu primeiro emprego (isto é, doze anos, que tantos foram os que lá trabalhei, "a ler", a criticar mentalmente, o que a escola me tinha demonstrado estar errado).
- Como vês, rapariga, os homens levam tempo a corrigir os seus erros ... A Humanidade, às vezes, é casmurra ... Ou comodista... Chama-lhe pequenas coisas ... Se as somasse!...
- Tá bem, eu vou contar ...
Um dia o professor de Português entrou na aula, e depois de ter definido, como ele dizia, o "Objecto da lição" e o "Sumário", perorou:
- Meus amigos, em colaboração com o vosso professor de Trabalhos Manuais, vamos organizar uma exposição para criticar o português do título do jornal "Diário de Notícias", tal como está escrito no alto do seu edifício da avenida da Liberdade, em Lisboa.
Foram mais ou menos estas as palavras iniciais do, como agora dizem, setour... Que continuou ...
- O que lá está escrito é Diario de Noticias, portanto, sem acento nem no A, nem no I. E nós achamos que devem lá pôr os acentos... É uma vergonha um jornal tão importante ter ali erros destes escritos na fachada do edifício ... Vamos denunciá-los numa exposição aqui na escola. Tomem nota (e escreveu no quadro):
Diario de Noticias
quando será
DIÁRIO DE NOTÍCIAS
agora, em Trabalhos Manuais, fazem os cartazes ... Eu já falei com o vosso mestre ..."
A malta toda da turma colaborou, a exposição fez-se e o Diário de Notícias, que esteve pessoalmente representado na exposição feita a propósito na Veiga Beirão, levou ... levou mais de duas décadas para fazer a emenda no reclamo luminoso que ainda hoje encima o seu edifício na avenida Liberdade, em Lisboa.
E onde, por ironia, acrescente-se, acabei por ter o meu primeiro emprego (isto é, doze anos, que tantos foram os que lá trabalhei, "a ler", a criticar mentalmente, o que a escola me tinha demonstrado estar errado).
- Como vês, rapariga, os homens levam tempo a corrigir os seus erros ... A Humanidade, às vezes, é casmurra ... Ou comodista... Chama-lhe pequenas coisas ... Se as somasse!...
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
"Vigaristas da Baixa"
Através do FACEBOOK recebi há bocado um apelo à memória. Respondo emocionado com "meia dúzia" de apontamentos, a partir deste banco onde (re) vejo filmes ... Uma espécie de cinemateca ao ar livre, que me "inspirou", até hoje, depois de ter aprendido a funcionar com "isto" (ver ACERCA DE MIM), mais de 1400 apontamentos. Lá vai mais um ...
1. Da V. B. recordo pouco, mas... mas o pior, ou, no caso, "o melhor": a filha do Paulino, chefe dos contínuos da Veiga Beirão ("Vigaristas da Baixa"), em Lisboa, que, comentava-se, "é (era?) boa como o milho" ...
2. O Fagundes, contínuo, que passava "as passas do Algarve" para controlar a subida da escada principal da escola, que ele queria se fizesse pela direita, com descida pela esquerda, ou vice-versa, e a malta insistia no contrário - enquanto o "pobre de Cristo" deitava gafanhotos por todo o lado ... Penso que Fagundes era, por isso, alcunha ...
3. O Bassora (vassoura?) que limpava as retretes do pátio ... Bassora, na altura, era o nome de um importante jogador espanhol de futebol.
4. Um professor de Português a que a "rapaziada" chamava o "olhos de carneiro-mal-morto..." Bom dia! Objecto da lição, sumário ...
5. O professor de canto coral, Euclides Ribeiro, coxo, que a "tropa", malvada, chamava, à boca pequena, o "sobe e desce ..."
6. Manuel Lereno, declamador, que fazia equipa com Euclides Ribeiro em "canções patrióticas".
7. O escultor Rubens, que era professor de Desenho e meu particular animador de traços e guachos ...
8. O arquitecto Falcão e Cunha, que foi também professor de Desenho. Simpático. Muito mais tarde, meu vizinho em Benfica (Lisboa). Tinha nos seus arquivos particulares desenhos com o "meu traço", de que nunca abriu mão ...
Para além da GNR, do pessoal da tabacaria do Largo do Carmo, não me ocorre nada, a não ser estas merdelhices, como diria Vergílio Ferreira, que fazem a vida ... E se contam, às vezes, nesta coisa que me chegou já eu estava nos mais de setenta ...
Ilustro este "post" com uma relíquia que esteve, com espanto pessoal, na altura, exposta na sala de aula. É um cais marítimo imaginado de cima. Como agora temos que ver a vida - se queremos sobreviver ...
1. Da V. B. recordo pouco, mas... mas o pior, ou, no caso, "o melhor": a filha do Paulino, chefe dos contínuos da Veiga Beirão ("Vigaristas da Baixa"), em Lisboa, que, comentava-se, "é (era?) boa como o milho" ...
2. O Fagundes, contínuo, que passava "as passas do Algarve" para controlar a subida da escada principal da escola, que ele queria se fizesse pela direita, com descida pela esquerda, ou vice-versa, e a malta insistia no contrário - enquanto o "pobre de Cristo" deitava gafanhotos por todo o lado ... Penso que Fagundes era, por isso, alcunha ...
3. O Bassora (vassoura?) que limpava as retretes do pátio ... Bassora, na altura, era o nome de um importante jogador espanhol de futebol.
4. Um professor de Português a que a "rapaziada" chamava o "olhos de carneiro-mal-morto..." Bom dia! Objecto da lição, sumário ...
5. O professor de canto coral, Euclides Ribeiro, coxo, que a "tropa", malvada, chamava, à boca pequena, o "sobe e desce ..."
6. Manuel Lereno, declamador, que fazia equipa com Euclides Ribeiro em "canções patrióticas".
7. O escultor Rubens, que era professor de Desenho e meu particular animador de traços e guachos ...
8. O arquitecto Falcão e Cunha, que foi também professor de Desenho. Simpático. Muito mais tarde, meu vizinho em Benfica (Lisboa). Tinha nos seus arquivos particulares desenhos com o "meu traço", de que nunca abriu mão ...
Para além da GNR, do pessoal da tabacaria do Largo do Carmo, não me ocorre nada, a não ser estas merdelhices, como diria Vergílio Ferreira, que fazem a vida ... E se contam, às vezes, nesta coisa que me chegou já eu estava nos mais de setenta ...
Ilustro este "post" com uma relíquia que esteve, com espanto pessoal, na altura, exposta na sala de aula. É um cais marítimo imaginado de cima. Como agora temos que ver a vida - se queremos sobreviver ...
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