in À Sombra da Minha Latada, de MA (com actualização)
Convocam-se plenários. Discute-se. Ouve-se o que se gosta e o que não se gosta. Cochicha-se. Sai-se. Entra-se de novo. Segreda-se ao ouvido da presidência. Volta-se. Nomeiam-se comissões. Que discutem. Que cochicham. Que segredam. Que nomeiam subcomissões que procuram obter pareceres técnicos, primeiro nacionais e depois estrangeiros.
Chovem relatórios. Despachos que despacham. Despachos que ordenam. Ordenam mais pareceres de novas subcomissões. Que reúnem. Amanhã e quinze dias depois. Para dar tempo. Tempo a um estudo mais profundo. O assunto tem várias implicações não só políticas como económicas e sociais. É preciso ouvir, por isso, diversos ministérios. Que reunirão em plenário. Onde se ouvirão coisas agradáveis e outras que o não serão. Onde se cochichará. E se nomearão comissões que, por sua vez, delegarão em subcomissões que farão mesas redondas entre si. E, mais tarde, trabalharão em equipa que, inicialmente, não será interministerial.
Mas virá depois uma ordem, UMA ORDEM. Há que reunir agora interministerialmente.
Minutam-se cartas.Fazem-se horas extraordinárias. Correm os contínuos. Preparam-se antecedentes. Descobrem-se falhas. Procede-se a uma reconstituição. Telefona-se para a 1ª Repartição. Almoça-se com o chefe da 2ª. Em segredo. Prepara-se tudo para a interministerial. Obtêm-se os nomes dos outros participantes. Informa-se o director que nada sabia. E que, logo a seguir, chama a secretária e o contínuo ao mesmo tempo. Ouvem-se ordens. Tocam telefones. Fazem-se reuniões. Interministeriais. Ministeriais. Plenárias. Especializadas. Discute-se. Segreda-se. Cochicha-se. E dactilografam-se relatórios sobre pareceres e pareceres sobre relatórios. Consulta-se bibliografia. Fazem-se traduções. Pedem-se orçamentos. Cá dentro. E lá fora - só para confirmação.
Desafio: LER ATÉ AO FIM, sem parar ... E pedir aos amigos que tentem fazer o mesmo ...
Fazem-se contas. Abrem-se cartas. Reúnem-se as subcomissões. E as comissões. Erguem-se braços. Baixam-se braços. Cochicha-se. Sai-se. Entra-se de novo. A mesa é afastada com um voto de censura. Volta a votar-se. Por escrutínio secreto agora. Surgem novas caras na mesa. Votam-se novas comissões. E novas subcomissões. Consultam-se "dossiers". Fazem-se sindicâncias. Estudam-se reintegrações. Procede-se a um inquérito. Fala-se em saneamentos. Elaboram-se processos disciplinares. Discute-se futebol. E o entremeio da colcha. Chama-se o contínuo. Compra-se contrabando e envia-se um parecer. Para juntar ao relatório. Que anula o da comissão que mandara a subcomissão ouvir o parecer do técnico estrangeiro por intermédio do especialista nacional do outro ministério e que haveria de ser apensado aos orçamentos em tempo pedidos, mas que carecem de actualização.
Pedem-se novas propostas. Ouve-se a opinião pública. Solicitam-se entrevistas. Convoca-se a imprensa. A rádio. A televisão (do programa Prós e Contras dizem presente!...). Dá-se um prazo para sugestões.
Reúnem-se a comissões centrais. As distritais. As concelhias. As de freguesia. As de bairro. Que, por sua vez, emitem comunicados. Fazem reuniões. Comícios. Fala-se do assunto cinco minutos e a assembleia demora noventa. E aprova a proposta do senhor que estava na primeira fila. Por aclamação.
Conhecem-se agora todas as opiniões. As das bases e das cúpulas. Está decidido:
haverá TGV, haverá nova Ponte sobre o Tejo, haverá novo Aeroporto em Lisboa e, em breve, vamos repensar o que inaugurámos na semana passada em Beja.
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Direcção-Geral do Inacabado *
Pouco seguro, embora, da sua aceitação, já aqui sugeri a listagem pública das dívidas do Estado à iniciativa privada portuguesa a que, em momentos de aperto, se chama motor da economia, mas em período eleitoral, bastas vezes, se dá a entender que nacionalizada (apesar da recente reviravolta cubana...) é que seria bestial...
Regressado da província, a sugestão de hoje é outra, dá algum trabalho, mas concretizada, por exemplo, com as autarquias locais, poderá revelar-nos as sinfonias incompletas de que, ou muito me engano, ou somos pródigos: uma exaustiva listagem, incluindo comos e porquês, de todas as obras
1. Formalmente acabadas e/ou inauguradas, mas fechadas (há quanto tempo e porquê);
2. Com projectos aprovado "por quem de direito", mas inacabadas, às vezes, nomeadamente, não por falta de tijolos, mas de papéis ou de merdelhices locais...
3. Por fim (também poderá ser "interessante") as prometidas pública e solenemente às populações "por quem de direito", mas que nunca avançaram, vamos lá saber porquê...
Em suma, tratar-se-ía de levar por diante um levantamento das nacionais ou locais mentiras, das nacionais ou locais preguiças, das locais ou nacionais incompetências - que nos roubam todos os dias impostos e paciência.
Mais se sugere, a criação de uam Alta Autoridade para o nacional "deixa andar" - a ocupar por um dos actuais directores-gerais que, na prática, não tenha mais que fazer do coçar o... coçar-se...
* na dependência do Primeiro-Ministro e em articulação permanente com a Assembleia da República.
Regressado da província, a sugestão de hoje é outra, dá algum trabalho, mas concretizada, por exemplo, com as autarquias locais, poderá revelar-nos as sinfonias incompletas de que, ou muito me engano, ou somos pródigos: uma exaustiva listagem, incluindo comos e porquês, de todas as obras
1. Formalmente acabadas e/ou inauguradas, mas fechadas (há quanto tempo e porquê);
2. Com projectos aprovado "por quem de direito", mas inacabadas, às vezes, nomeadamente, não por falta de tijolos, mas de papéis ou de merdelhices locais...
3. Por fim (também poderá ser "interessante") as prometidas pública e solenemente às populações "por quem de direito", mas que nunca avançaram, vamos lá saber porquê...
Em suma, tratar-se-ía de levar por diante um levantamento das nacionais ou locais mentiras, das nacionais ou locais preguiças, das locais ou nacionais incompetências - que nos roubam todos os dias impostos e paciência.
Mais se sugere, a criação de uam Alta Autoridade para o nacional "deixa andar" - a ocupar por um dos actuais directores-gerais que, na prática, não tenha mais que fazer do coçar o... coçar-se...
* na dependência do Primeiro-Ministro e em articulação permanente com a Assembleia da República.
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