segunda-feira, 25 de novembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

A sociedade do elogio mútuo

Aqui para nós, gente dos lusos jardins: dei há pouco uma volta pelas chamadas redes sociais aqui ao lado e regresso agora à pacatez do jardim7 apenas para dizer que, para além da sinceridade de alguns alertas e estados de alma, que respeito, fiquei horrorizado com as verdadeiras sociedades do elogio mútuo encontradas. Percebe-se a humana necessidade de convívio, percebe-se a necessidade clubista e/ou política que muita gente terá de se sentir acompanhada pelo mundo, mas quando se vê, quando se lê, a propaganda política, a critica (sem critica) que surge a cada passo, não se pode deixar de ficar, não digo triste, mas perplexo ... Pessoas com nível intelectual como algumas dizem ter (e o Zé acredita) a escreverem, por exemplo, que Mário Soares está em grande forma, quando toda a gente sabe que o senhor em causa tem a idade que tem e ... Por favor. Respeitem o Homem, o Político que foi, o Avô que é. Mas ... Sinceramente!... Claro que o tempo do Portugal amordaçado já lá vai, mas daí até ter que ser agora uma república das bananas, francamente ...

Festejem os aniversários, digam uns aos outros coisas bonitas, mas não finjam ... E votem, porra! Votem em liberdade. Não me lembro de vós na Alameda D. Afonso Henriques ... Ou queriam 25 de Abril sem 25 de Novembro?... Onde é que estão amanhã? Apanhados nas redes? ... O povo para estar unido não precisa de redes ... Tem é que se libertar delas ... Vá: o Senhor Dr. Mário Soares terá sido um presidente com passado político apresentável, mas daí até ser um Herói, vai uma grande distância ... Ou não vai?... Vai, digo eu. E é por isso que o respeito. Sem comício. Na pacatez de um blogue de jardim, que é o que este tenta ser - sem rede ... 

Saúde, Senhor ex-Presidente! E muitos anos de vida. Não se excite. Sabe quem é que não lhe quer mal?  Sou eu, e outros como eu, de B.I. avançado, que não o queremos ridículo.

V. Exa. manda ...





















Tinham pensado numa certa de necessidade de concretizar um projecto. Tinham dinheiro. Havia quem financiasse, mas não sabiam como começar - e não parar a meio. As forças políticas, eventualmente, do lado da concretização do projecto, davam sinais de querer "a coisa", mas fazê-la tá quieto ... Até que apareceu quem, sem tibiezas,  se disponibilizou para concretizar o desejado na cabeça de vários.

Disseram-lhe que sim, que avançasse. Avançou. Fez uma maqueta, que, discutida embora, acabou por ser aprovada e até saudada quando toda a gente a viu na cerimónia pública de apresentação. Estiveram presentes muitos dos "sins" e não se deu pela existência de nenhum não. Aos brindes, brindaram todos. Lembra-se até a significativa presença do escultor Martins Correia. Saiu em formato A4 e com o número de páginas que o dinheiro autorizou.

Depois, com textos escritos por uns e outros, durante anos, foi saíndo - trimestralmente, como pedido. Não lhe faltaram colaborações - literárias e técnicas (tratava-se de uma publicação técnico-pedagógica). Mas concretizava-a a habitual carolice ... Ainda se assistiram, como era natural, a episódios laterais pouco compreensíveis, mas a coisa não parou: formato A4 ao alto.

Até que, graficamente, se começou a esboçar uma espécie de fadiga (?) a pôr em causa o trabalho dedicado de quem se entregava, de três em três meses, com entusiasmo e arte, à "arrumação" dos textos, dos desenhos, das fotografias. Transformou-se-lhe a paginação. Nada! A insatisfação (dir-se-ia mais política do que outra coisa) continuava. Continuou até ao dia em que alguém propôs que o formato A4 em vez de impresso ao alto, passasse a ser ao baixo. Isto é, de vertical para horizontal - como nos cadernos de tendências de moda, ouviu-se.

"Boa!" - disse-se.

E a coisa foi mudada. Com aplauso geral. Ficaria assim: A4 horizontal.

Só que a ignorância faz quase sempre a diferença e em breve, o que era periódico e, portanto, obrigado a formato duradouro, passou a ser indesejado ... "Queremos que seja impresso ao alto!..."- disseram os do ok meses antes a propósito do formato horizontal. E assim se fez. Resultado: foi complicado arrumar o passado com o presente que depois quis ser novamente passado ...

Porquê esta história? - perguntar-se-á. Porque sim ... Porque somos assim ... E talvez escrevendo-o ... haja quem leia ...

Tudo como na porca da política e... e na cantiga: "... quando tudo estava em paz e já ninguém se lembrava aparece no pátio um rapaz a vender castanha assada ... Eu não sei lá o que ele fez, mas fui tudo pelo ar e, catrapuz, outra vez, desatou tudo a berrar ..."

E assim se vive hoje - em Portugal e em ... e em ... e em ... em todo o lado onde há gente ... Que não sabe o que quer. Sobretudo quando há quem pague.


Não ao PORNO!...

Quem aqui chega unicamente movido pela sua cultura e/ou por uma certa curiosidade geral, é natural que se pergunte em silêncio:

quem é este fulano para pensar e escrever estas coisas, às vezes, eventualmente banais, num universo de Ciência para todos em que tantos se afadigam para que a Humanidade seja sabedora?

Respondo com saber de experiência feito:

não sei, ou melhor, não quero concluir. O que sei é que, como já dei a entender noutras ocasiões, as "estatísticas" são ... são... Não classifico, revelo:

a mensagem mais visitada na rua inclui no título a palavra PORNO e está, sempre esteve, à frente das demais ... Mas, fiz agora as contas: a segunda mais visitada tem pouco mais de 20% (21%, exactamente) dos interessados pela que ... que inclui a palavra PORNO.

Acresce que esta segunda a que me refiro pode ter interpretações sociais de confronto regional Norte/Sul de Portugal e, por isso, também ela consegue que nada a ultrapasse na segunda posição estatística onde a colocaram.

Estás a fazer uma crítica a quem te visita e, generosamente,  te faz companhia todos os dias? 

NÃO! Estou a ver Portugal nas suas dificuldades, no déficit, na sua revolta à procura de escapes, mais do que de informação ou comentário.

Tenho a certeza de que no dia em que, aqui, se chamar um nome feio, por exemplo, ao nosso Primeiro-Ministro, não faltarão visitas.

Tenho a certeza de que no dia em que aqui fizer um inequívoco apelo ao voto em determinada força política
 recebo a visita de uma parte significativa dos seus apoiantes - sempre à espreita ...

Tenho a certeza de que no dia em que aqui se gritar por um Benfica ou por um Porto (refiro-me ao futebol), as visitas registadas pelo sr. Google vão ser tantas, tantas que ... que até podem parecer pornográficas ...

Só que ... não ao porno! Ao propriamente dito, sobretudo.

Se aqui se conseguisse ser uma espécie de Jornal Novo de 1975, por exemplo ... Isso sim: que bom! Mas a pretensão, se é que há alguma, é bem mais modesta, como não podia deixar de ser: na simplicidade das palavras e/ou das imagens, tentar um retrato à la minute do tempo que passa ... Que passa numa rua que é de um jardim ... Onde tudo se diz com convicção, mas sempre à espera que até si chegue um pombo-correio que o leve o mais longe possível ...


A propósito, dizem os números que aparecem nas tais estatísticas Google, que os cidadãos dos Estados Unidos estão à frente (como sempre estiveram) nas audiências por países.

E chega de auto-estima.

Comentários precisam-se.



Portugal nas meias finais

Bem-hajas, Antunes Ferreira! BOA!...

CIGANOS (IV)



Queria, à viva força, vender um dos perfumes que, escondido, trazia num dos bolsos do casaco, mas não conseguia. O potencial cliente rejeitava um e logo o cigano tirava doutro bolso novo frasco, não se sabe se com o mesmo perfume ... E era ali, naquela estranha clandestinidade, que a não-compra começava ...

Entretanto, à saida do Metro, tudo muda de figura: de vez em quando, modesto no trajar,  pára um potencial cliente para ver o artigo que a cigana, sob o olhar atento do marido, estrategicamente posicionado, tem para vender ... Não muito longe de outra cigana, e de outra e de mais outra ... Todas a vender "o mesmo", cada uma de cores diferentes ... Pouca gente a comprar. A dúvida maior do que o preço ... Dúvida acerca da qualidade e da proveniência. Dúvida no preço e na transacção ... Medo de negociar "sem testemunhas", sem polícia perto ... DÚVIDA acerca da clandestinidade do acto ... Percebe-se haver gente interessada, mas logo adiante uma discussão entre ciganos, afasta potenciais compradores/as.

E fica-se a perceber melhor a feira, uma feira organizada onde ninguém se afasta, como que confiante no envolvimento ... Onde a integração pública está assumida pelas autoridades, o Zé compra, o cigano dos perfumes não está presente, mas o que vende casacos e sapatos, está - e faz negócio. Não só com gente das aldeias vizinhas, mas com os passantes (outros) que param porque, quase sempre, lhes falam em preços convidativos e discutíveis sem potenciais rixas.

Que caminho falta percorrer para a urbana loja cigana com perfumes, ou tecidos, ou sapatos, ou com o que quer que seja para vender a retalho? Talvez ... talvez séculos ... Então, o que está em curso poder-se-á chamar integração?

A exposição que o Museu da Cidade de Lisboa levou a cabo, até um destes dias, não sei quantos visitantes registou, mas foi um passo ... Um pequeno passo. Visitei-a duas vezes. Contudo, ainda não me apetece comprar perfumes na rua ... Mas, em contrapartida,  tenho em casa não sei o quê comprado em tenda cigana numa feira da Beira Interior. E não faço segredo disso. Nem eu, nem quem mo vendeu, estou certo,

Talvez esteja aí para bisnetos a loja, em centro comercial, por exemplo, declarada e claramente cigana. Com o inequívoco prestígio das melhores - mas a preços "de combate" e qualidade garantida. Assim seja, como talvez dissesse, HOJE, Francisco.

JORNAL NOVO retratos p.b. 1975/76 (177)254)


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