"Sim. Deve ter sentido a pergunta sobre quais as formas de arte maiores e menores.
Há uma corrente única de vida que atravessa todo o existente - incluídas portanto também as pedras. Mas tem sentido graduarem-se as formas de ela se manifestar. Enquanto vida, ela é igual num homem ou numa minhoca. Mas diferencia-se pela sua complexidade. Não há menos arte, enquanto arte, numa tela de Rembrandt e numa cerâmica de Estremoz. Mas a complexidade de ambas fala voz diferente nesse ser complexo.
E se compararmos um género de arte com o outro? Um quadro com uma música ou um romance com um bailado ou um filme com uma catedral? Onde se demarca a complexidade ou a carga humana que suportam? Qual deles diz mais? Qual deles é melhor? Em que parte de nós isso se referencia? isso se afere? Mas não perguntes. Porque a resposta está apenas no saldo que em ti ficou no que em ti existiu para elas. E ninguém sabe se o saldo maior não foi simplesmente o da música de um cego numa esplanada de sol ..."
* in PENSAR de Vergílio Ferreira
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