quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Conversas são como cerejas: "Teologia da Libertação"

Estamos no início de 1985.Conspirava-se com base na "Teologia da Libertação". Falava-se de uma certa inspiração marxista e o tema central era a "pobreza e exclusão social à luz da fé cristã." Muito falada era então (É!) a América Latina.

 A informação nunca fez mal a ninguém: chegado a Lima, assegurado o apoio logístico do funcionário do ministério dos Negócios Estrangeiros peruano que me havia sido garantido em Lisboa, "sacudida" a presença dos milhentos indivíduos que queriam vender "não sei o quê", toca entrar numa livraria para comprar, justamente a... a tal "Teologia da Libertação" de que muitos falavam - um pouco atrás dos reposteiros...

Nada a esconder. O papel social da Igreja? Muito bem: pobreza, não! Exclusão social, não! Vamos pôr-nos de acordo...

Da Conclusão da "Teologia" 


"La teología de la liberación que busca partir del compromiso por abolir la actual situación de injustícia y por construir una sociedad nueva, debe ser verificada por la práctica de ese compromiso; por la participación activa y aficaz en la lucha que las clases sociales explotadas han emprendido contra sus opresores. La liberación de toda forma de explotación, la posibilidad de una vida más humana y más digna, la creación de un hombre nuevo, passan por esa lucha.

Pero, en última instancia, no tendremos una autêntica teología de la liberación sino cuando los oprimidos mismos pueden alzar  libremente su voz y expresarse directa y creadoramente en la sociedad y en el seno del pueblo de Dios (...)."


Sim, senhor! Pessoalmente, quero tudo isso - mas sem Muros, sem, por exemplo, a catedral de Santo Isaac, aberta, como a cheguei a ver em Leninegrado (hoje, S. Petesburgo), a demonstrar, no seu interior, teorias da Física...


Quero uma Igreja com muitos cardeais militantes do BEM COMUM,  que possam, ao mesmo tempo, seguir João Paulo II, cuja primeira visita papal ao estrangeiro foi ... ao México...Quero isso! Sem sangue, mas também sem fome, claro. Discutamos em paz. Com seriedade.

A edição da "Teología de la liberación" a que me refiro (e de vez em quando trazida à liça...) foi editada pela Editorial "Alfa" SA - Pasaje Peñaloza, 166 Lima-Perú. Os livros sobre as liberdades, incluindo a religiosa, há-os por aí às montanhas.

 Será que o que falta são HOMENS com ...





A sabedoria

Os LER sabem Que, Vezes como, LER sabem nao . E, ISSO POR, São Mais Conflitos Dados EAo - que, quando dez nao, Por inventam Razões de Sobrevivência psicológica ...


pataqueira Conclusão : PoDE ganhar - se com Mais dos uma Sabedoria confessos analfabetos fazer com Que uma cultura postica de alguns alfabetos ... Irritantes , Vezes muitas .


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Frases"

"Não exibas tanto o esplendor dos teus dentes."

Vergílio Ferreira
Sócrates a Passos Coelho

"Há sempre uma razão contra a razão que quiseres."

Vergílio Ferreira
Meditação de Jerónimo de Sousa

"... que há de grande no homem senão o excesso de si?"

Vergílio Ferreira
Santana Lopes ao espelho

"Sê alegre apenas depois de dares a volta à vida toda."
Vergílio Ferreira
Manuel Alegre a Cavaco Silva

"A carta. Hoje entrou em descrédito ou ao menos em decadência."
Vergílio Ferreira
As editoras ao autor das "Cartas à minha neta"

"Não tenhas ideias fora de ti porque vão perguntar-te donde veio este tipo?"
Vergílio Ferreira
Eventuais leitores deste blogue aos seus botões...


"A Europa está no fim porque esgotou o seu reservatório de mitos."
Vergílio Ferreira
Durão Barroso em confissão

"Toda a verdade e todo o erro, se repetido mil vezes, tendem a converter-se no seu contrário."
Vergílio Ferreira
Reflexão intima de Cavaco Silva

"Imaginemos retornados por uma máquina do tempo ao mundo estúpido dos dinossauros. Que palavra sobre Deus seria então possível?"
Vergílio Ferreira
Bento XVI quando andava na catequese

"Hoje é tempo de se não ser."
Vergílio Ferreira
Shakespeare em solilóquio

"É altura de te calares..."
Vergílio Ferreira
Juan Carlos a Hugo Chavez


"Se eu não morresse, nunca!"
Cesário Verde
Sócrates aos militantes do PS

Portugal e a Galiza ( II )

Centro Galego de Lisboa
À memória de Hipólito Oitaven, que se junta a nós


"... Vizinhos de sempre, ligados pelas quietas águas do Lima, foi ainda na Galiza que El-Rei D. Fernando e D. Afonso V encontraram apoio para as suas efémeras pretensões dinásticas - apoio de alguns magnates galegos mais sensíveis aos laços de vassalidade do que à incipiente noção de pátria, os quais - lá como cá (pois o mesmo sucedera com os grandes senhores portugueses que haviam passado a Castela em tempo do Mestre de Avis) - honradamente defenderam o princípio da sucessão legítima, alheios a uma esplenderosa realidade política de que os Reis Católicos e o Príncipe Perfeito seriam os geniais obreiros, para maior glória das duas nações peninsulares.


Politicamente separados, o norte de Portugal e a Galiza, encontravam-se todavia unidos por muitos laços históricos e culturais e por uma estreita vizinhança de que resultaria, no decorrer dos séculos, a fixação de numerosas famílias galegas no nosso território, e vice-versa (...).

in "Panorama" (Set./Dez. 1970), artigo assinado por António Pedro de Sousa Leite, que não esqueço.

Palavras em saldo



5 º DIA



"Aquele Que todo Estoire de Inveja Estoire ".


"A Fortuna Dá Uma Para muitos Demasiado Pará, Mas o Suficiente , a Ninguém . "


"... se Queres Ser amado , ama . "


"Se dezenas mesmos OS Sentimentos , se a dedicação É Mutua,
em qualquer Lugar Será Roma Para os Dois ".


" QUANDO te peco penhor sem Dinheiro " Tenho Não! " respondes ;
Mas se o Meu Por fiança Campinho, dezenas ja
A Confiança Que Não depositas em MIM , eh o Que sou velho amigo,
Geoquímica de Depósitos -la, Telesino , hortaliças e minhas NAS NAS minhas árvores . (...)"


"Porque crucificas hum escravo , Pontico , com Uma arrancada Língua ?
Não sabes Que o Que Ele o cala grita o povo ? "


"Nem sabes , pobre de ti, Nem sabes quão Difíceis São OS gostos da senhora Roma:
acredita em MIM , Uma turba de Marte TEM UM Demasiado exigente paladar .
Em Alguma parte zombarias HÁ Maiores : Quer OS Jovens , velhos OS Quer,
Até dez Crianças e Como Nariz de rinoceronte .
QUANDO UM ouvires grande aplauso , ainda estás UM atirar beijos ,
Já te e em Sentirás baldeado AO AR Saio de Arremesso ".


"Eu sou UM Aquele segundo softwares Antigos , bagatelas Na Glória Destas,
A admiras Quem Não, Mas Julgo , amas Leitor Que. "


"Os Ricos , Aucto , tem nd ira Uma Fonte de PROVEITO :
FICA odiar Mais barato Que Dar ".


em "Amor e Poesia Amargor nd de Marcial", de José Luís Lopes Brandão

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Macau - proibições

A - Afinal porque é que o navio escola "Sagres" não atracou agora em Macau?


"Navio de guerra?" 


"Dificuldades técnicas?"


"Comichão?" - pergunto eu.


B - O que é que quer dizer o que ontem, ontem mesmo, fui encontrar, no meio dos meus livros, escrito num envelope que continha um antigo (novinho em folha) selo do correio de Macau (vinte avos)?


"SELO RETIRADO "OBRIGATORIAMENTE" NO IV CENT. DOS LUSÍADAS EM 1972 (MANDARIM PRESTANDO VASSALAGEM AO D. MANUEL) . PROIBIDO PELOS CHINESES." 


Nota: estive hoje a falar com um dos muitos chineses que conheço em Lisboa (há aqui mais do que portugueses  em Macau?), que me entendeu, mas não percebeu nada de nada...
Vim-me embora. Chateado, confesso. O entendimento entre os povos é importante.

Serão na cidade - quadras soltas *

1988. Janeiro. 1º dia
Saudades do autor, Oneto Nunes


Fingindo que não me viste,
Olhaste fingindo olhar
Eu reparei que fingiste,
Mas fingi não reparar...


Creio em Deus Nosso Senhor
Não o vejo? Isso que tem?!
Também não vejo o Amor
E sei que te quero bem


Há três meninas que adoro
Muito mais do que imaginas:
As meninas dos teus olhos
E a dona dessas meninas.


Fiandeira vê lá bem
Quem escolhes p'ra namorar!
Não te vás fiar nalguém
Que não seja de fiar!...


* premiadas



Portugal e a Galiza ( I )

À memória de meu padrinho Marcial, galego de gema

"Para o visitante português, peregrino enamorado das terras de Espanha, que procure enriquecer a sua visão do país vizinho com o saber do passado - um saber que envolva a história, a arte e a literatura -, a província espanhola mais grata ao seu coração é sem dúvida esse poético e antigo "reyno de Galicia", em cuja trovadoresca língua chorou a primeira saudade portuguesa.

Com a sua rota de Santiago de Compostela - Jerusalém do Ocidente e sonho da Europa cristã - trilhada ao longo de séculos por tantos milhares de portugueses e "gentes de toda a lengua y nación"; com a sua velha Universidade, onde tantos portugueses estudaram também, a Galiza vicejante dos "Pazos" senhoriais e das populares "alminhas", dos adustos mosteiros e das roqueiras fortalezas - a Galiza de pedra e a Galiza viva -, fala à nossa imaginação e ao nosso sentimento, como noiva do ridente Minho, berço da nacionalidade, que, no dizer do Poeta, os pais não deixaram casar.

E talvez por isso mesmo, como símbolo de paixão contrariada, da Galiza nos veio Inês, Colo de Garça, inspiradora de uma das mais belas histórias de amor do Ocidente, celebrada por prosadores e poetas, músicos e dramaturgos de toda a Europa, sem excluir a remota Polónia; e, talvez por isso mesmo, as coitas de amor português tiveram a sua primeira expressão literária nessa poética linguagem de mãe, de noiva e de irmã, que tudo isso a Galiza é para nós."

António Pedro de Sousa Leite in "Panorama", de Set./Out. 1970.
A saudade de um querido Amigo.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Palavras em saldo

4º DIA


"O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce...A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo."


in "Uma Campanha Alegre", de Eça de Queirós - 1871

Acerca de mim ( II )

Para eventuais curiosos, ADITAMENTO ao obrigatório "Acerca de mim", do início deste blogue:

Onde viver?

Onde não morrer?

PARA VIVER

Para viver, Paris. Porquê?
Porque é a capital do mundo francófono,de que gosto especialmente, espalhado por toda a parte e o seu dia-a-dia traduz a atmosfera correspondente; é atravessada por um rio cujo leito sublinha e influencia, culturalmente, a sua paisagem urbana. E, a meu ver, dá formosura à sua vida quotidiana.


É Centro de Arte europeu. Já foi a cidade mais importante do mundo ocidental e ainda tem disso marcas no meio ambiente e na "transpiração cultural"; no século XIX foi capital do lazer e isso nota-se... - e agrada, em particular, a um reformado...


É a Cidade Luz, por ter sido o centro cultural da Europa.


Está perto de tudo: para lá convergem transportes internacionais de toda a parte; tem muita e diversa gente e, também economicamente, é uma das cidades mais importantes da Europa ("É sacudida pelas ondas, mas não se afunda").


E tem um dos museus mais bonitos que conheço: o de Orsay (Impressionismo); e tem o Louvre; e tem o Arco de Triunfo; e tem a Ópera; e fala-nos no Victor Hugo do meu fascínio jovem, e de Voltaire, de Claude Monet, de Renoir. E de...de Edith Piaf.


É o maior centro universitário francês. Tem o Quartier Latin. Tem o Sacré-Coeur, na colina de Montmartre. Tem a Place du Tertre, dos caricaturistas e de outros. Tem o Moulin Rouge e...e nas vielas cheira a bordel...


PARA não MORRER...


1. Rio de Janeiro, que é, das largas dezenas de cidades que conheço no mundo, a que mais se vincou na minha memória. Porquê? Pelo "milagre" da língua comum e porque, como por lá se diz, "o Criador ali ter parado três dias..."


2. Praga, por ser a mais "cansativa": são tantos e tão variados os motivos de interesse por todo o lado que só a pé pode ser culturalmente assimilada - no essencial.


domingo, 15 de agosto de 2010

Fogos deVerão...

A televisão acaba de informar que, "este ano, e até ao momento, há, em Portugal, 58 mil hectares de floresta ardida."


Como diria Agostinho da Silva, VAMOS AO PRÁTICO: 


A partir de 1 de Outubro próximo, e todos os anos logo a seguir a esta data, com eventual apoio logístico das câmaras municipais, se necessário, sugiro que TODAS as freguesias do país onde haja floresta (pequena ou grande) promovam, na área da sua influência directa, uma assembleia geral (por convite DIRECTO. Não por edital...) de TODOS  os proprietários locais de zonas arborizadas susceptíveis (as freguesias sabem quem são...) de incêndios, para, um por um,  lhes solicitar, em público, uma lista das dificuldades e/ou lhes dar, simplesmente, um prazo para limpeza do que, sendo  seu, é de todos...


A Junta, acolitada pelas autoridades que considere importantes para fiscalizar "os terrenos" em causa (GNR, polícias, bombeiros, etc), entregará à hierarquia respectiva, no início de Dezembro seguinte, o mais tardar, um relatório circunstanciado dos resultados, apontando, os eventuais faltosos.


A entidade supervisora do assunto em causa actuará depois em conformidade, de preferência, com conhecimento público, o mais tardar, até aos primeiros dias de Março de cada ano. 


O resultado terá que ser MATA LIMPA. Com o Estado, pois então, a não fugir à assembleia e a dar o exemplo na limpeza do que, localmente embora, é de todos.Os fogos deVerão acabar.


Custos da acção para as finanças públicas? Certamente, menores do que os resultantes da situação actual - que tem vindo a arrastar-se.


Cara/o Amiga/o, se concorda com a sugestão, REENCAMINHE-A. HOJE, se possível*. Faça uso do FACEBOOK, faça uso do que quiser...Mas actue. Tudo como está é que não pode ser, digo eu. Esqueça os partidos, esqueça argumentos menores. Escreva. Faça. Aconteça. Portugal É SEU. 


Se o presidente da Junta for "mole e indeciso" - demita-o! Não se queixe da situação apenas à mesa do café ou em surdina.

* Espero que não sejam as próprias autoridades a impedir as consequências dos reencaminhamentos...

NOTA: Preston James, geógrafo, citado por Josué de Castro in Geografia da Fome: "o homem, na sua acção modificadora do meio ambiente, actua às vezes com inteligência, mas na maioria dos casos de maneira cega (...), satisfazendo apenas os seus interesses imediatos."

sábado, 14 de agosto de 2010

Palavras em saldo

3 º DIA




Para os Meus Amigos das Traseiras do Litoral




A MEDROU LER , A ESCREVER CRESCEU


P'RA FAZER TUDO ... OU QUASE NADA ,


QUE NADA FOI TUDO O QUE LHE DEU


UMA NOITE DE POLÍTICA AFADISTADA ...


M.A.

"O normal é ser diferente" ( II )

 
"Gostaria de descobrir um líquido que ressuscitasse as pessoas de que gostei mais..." *


Ana Paula 


* in "Conversas Diferentes", de M.A., que a CERCI Lisboa vende com integral proveito para os seus deficientes intelectuais 

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"Rei dos chatos"

Antes que passe mais tempo, associo-me aos que lembram Miguel Torga, que, se fosse vivo, teria feito ontem anos (nasceu, ao que consta, em 1907). 


Cito uma passagem do seu Diário I, por concordar com os que vêem nestes seus registos o que, literariamente, fez de melhor.


"Leiria, 10 de Novembro de 1939
Mais duas horas de prosa.


Uma coisa seca, retalhada, sem nenhuma grandeza. Apesar de ter consciência disso, suei honradamente aquelas quatro páginas. E, afinal, é o que é preciso. Puxar, puxar, até o corpo não poder mais e cair de vez. Dar à vida, numa palavra, o que a vida pede: cada momento cheio de qualquer esforço.


Quando eu era pequeno, havia lá em casa, no cimo de um lameiro, uma costeira que era só fraga; e meu Pai, na vessada, granjeava também aquele bocado, que nunca deu sequer feijão-chícharo. Só com dez anos, sem conhecer ainda o pavor dos retalhos de tempo, perguntava-lhe eu, já cansado:


- Mas porque é que se cava também isto?


E ele, como quem sabia uma verdade eterna:


- Para se acabar o dia."


Saudades do Rei... 

Agosto 2010: ressonância inesperada...

Na exposição "José Saramago: a consistência dos sonhos", realizada no Palácio da Ajuda (24 de Abril a 27 de Julho de 2008), Pilar, na ausência do marido, deu-me, num exemplar dos "Discursos de Estocolmo", este (revejo-o agora) autógrafo: 

Quando no está el autor, haberá que conformarse con la traductora...esposa
Besos,
Pilar

Palavras em saldo

2º DIA


Aproveitem. Já há um tempo que não vejo por aí o Umberto Eco e pensei que, trazendo-o hoje ao meu blogue (já a formiga tem catarro...) poderia dar um modesto contributo para o Mercado de Livros, onde não gosto de saber em saldo obras de autores deste quilate... Confessada esta pia intenção, deixo, pois, aqui,  um pequeno saldo de palavras, eventualmente, provocadoras da procura de livros em primeira mão (faço notar que não sou sócio de nenhuma editora).


in "Diário Mínimo":

"Um homem que possua "todas" as virtudes morais e intelectuais em "grau médio", acha-se imediatamente a um nível mínimo de evolução. (...) Em contrapartida, alimentar um grau médio de paixões e ter uma prudência média significa ser um pobre exemplar da humanidade.
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Mike Bongiorno não se envergonha de ser ignorante e não revela qualquer necessidade de se instruir. Entra em contacto com as mais vertiginosas zonas do conhecimento e delas sai virgem e intacto, confortando as naturais tendências para a apatia e preguiça mental dos outros. Põe grande cuidado em não impressionar o espectador, não só mostrando-se às escuras quanto aos acontecimentos que o rodeiam, como, além disso, manifestando-se decididamente resolvido a não aprender coisa alguma.


Em compensação, Mike Bongiorno demonstra uma admiração sincera e primitiva pelos que sabem. Quanto a estes, o que realça neles é, porém, as qualidades de aplicação manual, a memória, a metodologia mais óbvia e elementar: uma pessoa torna-se culta lendo muitos livros e fixando o que eles dizem. Não o aflora, nem minimamente, a suspeita de qualquer função crítica e criativa da cultura. Tem dela um critério meramente quantitativo. Deste modo (acontecendo que é preciso, para se ser culto, terem-se lido durante muitos anos muitos livros) é natural que o homem não predestinado renuncie a todas as tentativas culturais.


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Mike Bongiorno é desprovido de sentido de humor. Ri por estar contente com a realidade, não por ser capaz de deformar a realidade." 

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

DIA INTERNACIONAL DA JUVENTUDE

Um em dois biliões de blogues é o que tenho, sei. Apesar disso, e da minha "provecta" idade, ou talvez por isso mesmo, apetece-me gritar a alegria ter visto e ouvido na Mezzo uma orquestra de jovens, tal como os gostaria de imaginar SEMPRE: a tocar em grupo, afinados, bem dirigidos e com capacidade para, quando solicitados, tocar a solo. Com entrega e um sorriso.

Bis! De pé,bis!

"O normal é ser diferente" ( I )

"Uma vez eu ia a passear numa floresta e vi um cavalo e o cavalo veio ter comigo e eu montei a cavalo..." *

Luís Borralho

* in "Conversas Diferentes", de M.A., que a CERCI Lisboa vende com integral proveito para os seus deficientes intelectuais.

De fato, há coisas...

Pode não ter interesse para os outros mas... mas, de repente, lembrei-me que esta "espécie de entusiasmo" que aqui tenho procurado deixar acerca da Presença Portuguesa no Mundo pode ter, se calhar tem, um eventual antecedente pessoal..."histórico"...

Aqui está: é o livro "O Brasil e as suas riquezas - Brasilogia" (24ª edição - 1951), de Waldemiro Potch (do Colégio Pedro II) - Prémio "Francisco Alves", da Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, que me foi oferecido pela Embaixada do Brasil em Lisboa, em... em 1951!

Tinha eu 13 anos e lembro-me de ter inventado que "andava a fazer um trabalho escolar sobre o Brasil..."

Ganhei o livro de que a Academia Brasileira de Letras dissera: "A obra é excelente no método, clara na exposição, extreme na linguagem, fácil sem ser trivial."

A verdade é que, de facto, de fato, não andava, mas ando, ando sempre, há quase 60 anos, com o pé a pular para o samba...e para outras danças...

E esta é uma excelente a oportunidade para um obrigado, Brasil!

Memórias do meu cata-vento ( X )

GENTENOSSA

Para minha mulher

Aos Anónimos

Dos "10 inesquecíveis" que, ao longo de várias semanas, aqui lembrei, este, que é o último, talvez, sem demagogia, devesse ter sido o primeiro: o anónimo. Pela quantidade, cujo único "defeito" é, quando visita Portugal, conduzir, bastas vezes, um automóvel amarelo ("Grande. Grande era a cidade e ninguém nos conhecia")... Mas também pela qualidade que representa desde os Descobrimentos - nem sempre pelas melhores razões internas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Comemorar o Centenário da República

O que não perguntei* directamente aos meus avós:

- como é que, numa aldeia da Beira Baixa (gosto mais de lhe chamar Traseiras do Litoral), foi sentida a notícia da implantação da República?

- que coisas boas e más sucederam nessa época?

- quanto é que, "lá", na altura, ganhava, por dia, um trabalhador do campo?

- em média, com que idade, nesse tempo, se morria nas aldeias do agora concelho da Covilhã?

- em 1910, como é que, "lá", se tratavam as doenças?

- que doenças eram consideradas mais perigosas?

- numa família de 10 filhos, quantos é que, nessa época, iam à escola?

- é verdade que, na altura, uma sardinha "dava" para três pessoas e ficava feliz aquele que comia a cabeça do peixe?

- o que é que se fazia depois do trabalho?

- quantas pessoas da aldeia estudavam fora do concelho?

- como é que se ía da aldeia à vila que ficasse, por exemplo, a 10 quilómetros?

- o que é que se fazia quando havia sinais de febre em alguém da casa?

- quando é que se tomava banho?

- quantas pessoas iam à missa ao domingo?

- quantos filhos tinha, em média, cada casal?

- o que era ser pobre?

- o que era ser "remediado"?

- o que era ser rico?

- que tipo de pessoas tinha direito a "chapelada"?

- comprava-se mais a pronto ou fiado?

- qual era, em casa, o melhor petisco?

- porque é que tiveram mais de 10 filhos?

- que cantigas cantava a avó nessa época?

- o que era para a amizade?

- e o amor?

- o que era a família?

- o que significava "dar a benção"?

- a que horas se levantavam e deitavam?

- como é que era a relação com filhos e netos?

- o que é que sabiam da história de Portugal?

- o que é que sabiam da política do país? **


* para dados pessoais, ver Acerca de Mim, e, para eventuais dúvidas, ler, do registado neste blogue, o que o tempo e a curiosidade permitirem a cada um...

**os manuais não substituem os avós.Os manuais são feitos pelos avós...

"Subsídio" para uma discussão intergeracional

Reduzindo tudo a números, a coisa é mais ou menos assim, vista por um "biólogo" de trazer por casa:

sou filho de 50% pai e de 50 % mãe; e, portanto, dos avós, já sou...já sou, na mesma base numérica, significativamente menos...

Contudo, contudo... a vida é, felizmente, muito mais do que uma dedução aritmética: homens e mulheres, quando casam, por exemplo, nem primos se querem... E os amigos também não são, necessariamente, à partida, do mesmo sangue.

Daí o que se "exige" ser é, no fundo, o que há cada vez menos: trabalho de jardinagem, naturalmente apropriado.

 Os cactos, por exemplo, não se dão bem com muita rega; mas já as hortências, além do mais, do que precisam é de água com frequência...

Talvez, contudo, o que falte mesmo aqui não são deduções aritméticas, mas,  como no teatro, merda, muita merda para os actores... Merda da boa. Fertilizante.Tão fertilizante, sem prejuízo das regas, como uma séria discussão intergeracional.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Memórias do meu cata-vento ( IX )

GENTENOSSA

Para a minha filha

Monsenhor Manuel Teixeira

Nasceu em Freixo de Espada à Cinta, viveu em Macau de Cruz ao Peito e morreu a sonhar com Macau de Espada à Cinta.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Teste de algibeira

Aqui há uns anos (velha "brincadeira?..."), antes de começar o debate aprazado, o orador fez a gracinha de entregar a cada um dos participantes uma folha de papel com o desenho do rosto de uma mulher.

De seguida, pediu a todos (uns vinte) que analisassem o "esquiço" e, sem conversas laterais, escrevessem num papel a idade que viam na senhora.

Tudo cumprido a rigor, o resultado foi... foi ter cada um atribuido à criatura uma idade diferente (entre os 20 e os 80 anos!...) da observada pelos demais... Isto é, houve, a respeito de uma mesma imagem, tantos pareceres desiguais quantas as pessoas presentes na sala.

A propósito, já experimentaram "alimentar" um blogue e conhecer opiniões? É isso... Embora, no caso, quase nunca expressas preto no branco. O que é pena.

domingo, 8 de agosto de 2010

Memórias do meu cata-vento ( VIII )

GENTENOSSA
À minha neta

Comendador Jaime Viana,  empresário

Recordo, como a propósito dos demais "10 inesquecíveis":

"Português da confiança do presidente Mobutu", para uns; "segundo embaixador de Portugal", para outros, Jaime Viana é, acima de tudo, amigo dos seus compatriotas. Conhece-se o papel que desempenhou aquando dos períodos complicados da zairização e da fugas de uma Angola em pânico; sabe-se o que fez em 1968 para trocar por zairenses capturados, naquele nosso ex-território, militares portugueses presos; não se ignora que, em 1970, foi a sua casa que, na prática, serviu de "sede"  para a nossa missão diplomática em Kinshasa, do mesmo modo que se tem presente o que, por essa altura, a sua acção representou no reatamento das relações formais entre Portugal e o Zaire.

Há poesia na paz. Jaime Viana é dos que tem direito a trazer a poesia no peito e ao peito: Mérito da Cruz Vermelha de Portugal., Oficialato da Ordem Nacional do Leopardo (Zaire), Medalha de Mérito Cívico de Ouro do Zaire, Medalha de Mérito Desportivo de Ouro do Zaire, Comenda da Ordem Nacional do Leopardo (Zaire), só raramente concedida a estrangeiros.

Quase 50 anos, lá, onde o areal é moreno e Diogo Cão deixou "feitiço de branco".

sábado, 7 de agosto de 2010

A bengala

Habituei-me a vê-la lá em casa anos a fio. Era uma bengala de junco de que meu pai, "orgulhoso", me dizia: "podes vergá-la que não se parte..."


Passaram-se dezenas de anos. Experimentei. Partiu-se ao meio. Envelhecera.


Meu pai ficou muito triste. E eu também.


Nunca mais a vi.

Palavras em saldo

Cresci a ouvir, durante muitos anos, mal entrava no Parque Mayer, em Lisboa, um homem que apregoava sempre o mesmo: "grande saldo de livros!!!" Não me lembro, apesar de tudo, de lhe ter comprado nem "velharia", nem "novidade" que se veja, mas a verdade é que me ficou o pregão e, com ele, quem sabe, o reforço da vontade antiga de "vender", também em saldo, não livros, mas palavras...

"Grande saldo de palavras!", pois, meus amigos. É o que, uma vez por outra (ou sempre...), tenho para vos oferecer, nesta barraquinha da NET que, por ser ao pé de um jardim, tem sempre uma sombra disponível para os apreciadores de verbos, substantivos, adjectivos, e coisas do género - em segunda mão...

Sempre me conheci a ler de lápis em punho. Os meus livros "dizem" a data em que foram lidos "a primeira vez", a "segunda", etc. Isto é, revelam o que pensei...às vezes com anos de intervalo.

Está aberto, pois, a partir de hoje, na ruadojardim7.blogspot.com, o "grande saldo de palavras". Tomem nota.

Hermann Hesse, in O Jogo das Contas de Vidro

"Sabe-se, ou pressente-se que, se o pensamento não for vigilante e o respeito pelo espírito não tiver valor, então os navios e os automóveis não tardam a andar aos ziquezagues, perdem todo o valor e autoridade a régua de cálculo do engenheiro mas também a matemática do Banco ou da Bolsa, é o caos."

"Medita com atenção! Se os teus ócios te pesam, consagra algumas horas por dia, não mais de quatro, a um trabalho regular, tal como o estudo ou a cópia de manuscritos. Mas não dês a impressão de trabalhar, tem tempo para quem quiser conversar contigo."

Anónimo

"Se os velhos perdessem a paciência com as hesitações dos novos, os novos ficavam prematuramente velhos."

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Memórias do meu cata-vento ( VII )

GENTENOSSA

Notas prévias:
a) Toda a gente sabe, ou tem uma ideia... Eu tenho uma ideia, a ideia de que o meu "blogue" é, no seu universo, UM, dizem, UM NO MEIO DE UM BILIÃO DELES... Escrever, então, porquê? Simples: a minha impressão digital é diferente. O Criador, na Sua Imensa Sabedoria, quis assim, se calhar, antevendo também, em concreto, esta situação... Isto é, actualizando, se for crime, serei condenado; se não for, andarei por aí feliz a dizer à atmosfera, tolo ou não tanto, o que vejo e sinto - sem fazer mal a ninguém.


b) Já agora, deixem-me revelar (ao éter?...) a brevíssima história deste "post". Um dia, já lá vão umas três dezenas de anos, cismei em "conhecer" os entrefolhos parisienses de alguns artistas plásticos portugueses. A CP ofereceu-me, contra nada, a ida e volta de combóio à Cidade-Luz; a Caritas facilitou-me, de borla, cama sem mesa... E fui. No regresso, saiu novela, de que mantenho, inédito, um arremedo do que senti. Este GENTENOSSA, do Meu Cata-Vento, tem um pedacinho da "experiência" que, neste caso, vai dar um dos "10 inesquecíveis" - da "etiqueta".

Para a pintora madeirense Tina Nunes, que conheci no Porto, revi em Caracas e Lisboa, e de que me resta a saudade e...e dois esquiços "produzidos" à mesa do café...

Costa Camelo,  pintor dos grandes espaços bretões

Escrevi:

"Para quem não resida normalmente em Paris, tenha da Cidade-Luz uma visão de pouco mais do que a de um simples turista e esteja de frente para o Sacré-Coeur, cá em baixo, ao fundo da escadaria, parece que, no topo, por trás da basílica, para além da famosa Place du Tertre, nada mais há do que o azul do céu e, eventualmente, um emaranhado de ruas onde deambula gente diversa, que não os parisienses com que nos cruzamos nos Champs Elisées ou em Montparnasse. Todavia, continuamos no bem conhecido Montmartre, embora na outra aba da encosta, de cujos píncaros se avista Paris que as telas dos mestres registam com as cores variegadas que lhes vão na alma.

É aí, nas traseiras da cidade, onde, apesar de tudo, ainda chegam vozes dos cabarés de Toulouse Lautrec, que vive Costa Camelo, o pintor português dos grandes espaços bretões, para quem, mais do que o ambiente que ali diariamente o rodeia, devem contar as léguas de paisagem que, em resposta a desejos profundos, tenta, de preferência sozinho, absorver, sempre que pode, no Norte de França.

É a necessidade de infinito, ou uma certa forma de ser português, captada quase às ocultas e em silêncio, e depois metida, sabe Deus com que apelo à capacidade de síntese, no sempre acanhado rectângulo de uma tela.

Nascido em 1924, numa Covilhã encostada à Serra da Estrela, isto é, numa espécie de traseiras de um agigantado Sacré-Coeur sem basílica, consta que fez o liceu em Castelo Branco e que, em termos universitários, terá passado pela Faculdade de Letras de Lisboa e pela Academia Real de Belas-Artes de Antuérpia. Reside em Paris desde 1950 - com a simplicidade de quem apenas aproveita do exterior o que julga amplo e digno de alguma atenção. De resto, se se quisesse observar a sua obra a partir do que lhe roça a pele, ter-se-ia que dizer que seria seria difícil conceber tanto, olhando o tão pouco que, na aparência, o envolve: uma casa vulgaríssima, com pinturas suspensas da parede com adesivos medicinais; um ou outro canudo com desenhos que o público há-de ver - se calhar; uma sala de visitas e/ou de trabalho com uma velha banheira cheia de tralha e uma mesa tosca ao centro, à volta da qual os amigos se sentam em bancos que foram cadeiras, mas, sobretudo, a tranquilidade nas palavras, em cujos intervalos se bebe chá preparado e servido ("desculpe o à-vontade") numa lavada caçarola de alumínio."

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Eternidades...

Como toda a gente, procuro encher o meu dia-a-dia de eternidades. Nas últimas semanas, "achei" duas...

- devidamente encadernados, todos os exemplares (oportunamente cobiçados pela biblioteca da Universidade Católica) do primeiro ano do JORNAL NOVO, incluindo, por graça, o que o público nunca conheceu: o número de ensaio, que sempre se faz para "consumo" interno do editor;

- as três primeiras edições da revista COLÓQUIO (o número 1, de Janeiro de 1959) editada pela Fundação Calouste Gulbenkian, que me recorda tempos de descoberta... Desse número e de José Régio, "vizinho", em Portalegre, de minha mulher, então solteira:

"... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 

Desvendarei, por fim, o incerto clarear?
Distinguirei, por fim, o rumor subterrâneo?
Este ir chegando, enfim, será chegar?
Entreverei o eterno, ainda que instantâneo?

Só sei que vou chegando, e a tarde é sossegada.
Chegando a quê? Talvez a nada.
Talvez a tudo."

Se eu mandasse...

Se eu mandasse, salvo pedido em contrário dos próprios, inscrevia, automaticamente, no Centro de Emprego da sua zona de residência, todos os alunos que, sem equívocos, concluíssem  formação superior.

Ou ia "mais longe" e inscrevia apenas, por exemplo, todos os que tivessem classificação final superior a...

Mas, em qualquer caso, daria, oficialmente, um sinal... Em liberdade.Sem demagogia.

Meus Amigos, do FACEBOOK e não só, se concordarem e tiverem essa possibilidade, reencaminhem a sugestão para o(s) poder(es), estabelecido(s) - ou candidato(s) a... Obrigado!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Questões intestina(i)s *

1. Adquirido algum "prestígio", mercê de iniciativas pessoais empreendidas com êxito editorial (sabe-se) e patrocínios (quase) garantidos, alguém dos jornais acordou um dia a pensar propor-se fazer, nada mais nada menos, do que uma visita a várias comunidades portuguesas no Mundo. Ao que se sabe, um trabalho para cerca de três (TRÊS) meses - fora do país.


Terá chegado ao periódico, falado com uma única pessoa com poderes deliberativos e, passada uma semana, a ideia terá sido aprovada sem ondas e...e começado por Goa...


Quando regressou, consta, havia um certo bruá na redacção do jornal... Mas o êxito consumara-se. Sem merdelhices.


2. Doutra feita, noutro jornal, um "interno" terá ouvido falar de um grande evento público da responsabilidade da comunidade portuguesa em S.Paulo (Brasil) e, em silêncio, visto aí uma excelente oportunidade de reportagem. Com despesas totais (e eventuais receitas) perfeitamente estimavéis.


Em silêncio, terá feito contas. Conhece-se a luz verde obtida, também sem ondas... Diz-se mesmo, neste caso, que a coisa foi um êxito. Só que...só que ninguém terá reparado que o acontecimento a cobrir tinha lugar por...por altura do Carnaval...


Resultado: foi possível (quase dá vontade de rir...) não dormir no Rio entre as 9 da noite e as 9 da manhã e aproveitar o trânsito, no caso, obrigatório, para passar a noite no Sambódromo e, a seguir, aparecer "fresco" em S. Paulo para trabalhar.


Missão cumprida! Não se falou mais nisso. Merdelhices, filhadaputices, na circunstância, zero!


O que não parece difícil adivinhar, Zé, é o que teria sido acontecido se não tivesse sido como foi... Por muito que doa. Há questões intestina(i)s, nos jornais que não te passam pela cabeça. Tenho a certeza.




* "Inspirado" no "post" de 1 de Novembro de 2009, "Para que serve um jornal".

Memórias do meu cata-vento ( VI )

GENTENOSSA
Ao Arq. Ruy Marchante, que, no Rio, a ver asa delta, me ia fazendo perder o avião...

Álvaro Clemente, alfaiate de presidentes

Com saudade:

"De certo modo, quem dita a moda na Venezuela sou eu!... (...) Poderiamos distinguir entre duas classes de homens elegantes: aquele que, por sua natureza, é chique e que, portanto, lhe é fácil salientar-se, sem que precise de ter um guarda-roupa selecto; e aquele que, não obstante não ser dotado de tais faculdades, as consegue adquirir e se preocupa com a escolha de um bom alfaiate."

terça-feira, 3 de agosto de 2010

"Juvelharias": quadras à minha filha

Eça, Ramalho, Junqueiro, Almada, Gulbenkian, Jorge Amado, Eisenhower, que sei eu?... já lá tinham estado quando, não me lembro em que circunstâncias, o sr. Fernando (1982), dono e grande entusiasta do TAVARES (Rico), na rua da Misericórdia, em Lisboa, teve a gentileza de convidar a minha filha e os pais para jantar ("sempre que a rapariga fizer anos"). Lá, na sala repleta de coisas boas...Tal qual. 

Aceitámos. E...e depois de um jantar inesquecível, saiu...saiu a "poesia" paterna:

Minha filha toma nota
Fixa bem a tua idade *
Para quando fores velhota
A lembrares à mocidade

Em dia de aniversário
Ela jantou à francesa
E registou em diário
"Abaixo a vil" pobreza

É nado o sol, o sol rompeu
E a Primavera está lá fora
O verde está, o verde é meu
A esperança nasce em cada hora

* 18 anos!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

"Jornal Novo" - Mário Bettencourt Resende, presente!

Gelou-se o corpo, reacendeu-se a "velha" Amizade: paz à tua alma, Mário!

Vou rever contigo, longe de qualquer "ordem de entrada em cena", o genérico daquela espécie de documentário que foi o "Jornal Novo", entre 1975 e 1978, a que ambos demos o que foi possível - quase sem dinheiro...  

No Alto de Santa Catarina, em Lisboa, sob a direcção do "realizador" Artur Portela Filho, estiveram, portanto, entre outros, anotei, além de ti, que depois foste, nomeadamente, director do "Diário de Notícias" (da minha meninice):

- Carlos Ventura Martins - mais tarde, assessor de imprensa do Presidente da República, Mário Soares;

- Carlos Pinto Coelho - mais tarde, autor/apresentador, na RTP, do programa "Acontece";

- Teresa de Sousa - mais tarde, da equipa fundadora do jornal "O Público";

- António Mega Ferreira - mais tarde, presidente do C.A. do Centro Cultural de Belém;

- Margarida Veiga - mais tarde, administradora do Centro Cultural de Belém (e, longe de tudo o que veio a fazer, minha ex-colaboradora);

- José Sasportes - mais tarde, ministro da Cultura;

- Torquato da Luz - sempre, Poeta;

- Luís Paixão Martins - mais tarde, director da LPM Comunicação;

- Alexandre Pais - mais tarde, director do "Record";

- Daniel Proença de Carvalho - mais tarde, ministro;

- Helena Roseta - mais tarde, autarca;

- Carlos Plantier (estou à espera de notícias tuas no Facebook...).*

Falou, disse, barafustou
A escrever sem ordem se perdeu
Foi Quixote e Sancho, talvez Junot
À sombra da latada que ergueu

é o auto-retrato que te deixo, meu caro Mário, para que, neste longe-perto, possas identificar um dos que, também sem medo do Adamastor, esteve no outro filme - e agora está aqui, qual, de novo, D. Quixote, "à frente" de um "blogue", à espera de ser lido sem favor e comentado em liberdade...

Viva o "Jornal Novo", e revivam todos os que por lá passaram!

Vivó!

* Recebi, entretanto, a informação de que o Plantier já partiu... Lamento muito.Paz à sua alma!

Memórias do meu cata-vento ( V )

GENTENOSSA
Ao Embaixador Rosa Lã, que, então Encarregado de Negócios em Caracas, fez questão de me receber na sala onde estava a bandeira portuguesa

Rui Assis e Santos - diplomata-poeta

"Sou um cidadão do mundo
Nasci em Viana, é o que se diz
Mas acho mais belo que digam
Que vim de Paris

Sou da vida e sou da morte
Sou da festa e da alegria
E da má sorte

Sou daqui e sou dalém
Sou meu e sou de ninguém
E sou teu também

Sou belo, sou forte, sou horrendo
Sou fraco e sou humano
Mas com amor vou vivendo

Sou só e estou acompanhado
Sou alguém que vive e sente
Sou um cidadão do mundo
Sou emigrado."

domingo, 1 de agosto de 2010

José Galvão, um homem de (o) peso

Numa altura em que Barcelona é palco do Campeonato Europeu de Atletismo, permita-se-me que recorde, diverso nas aspirações, o amigo e companheiro de trabalho, José Galvão, antigo recordista nacional do peso, mas, sobretudo, campeão da simpatia e boa disposição que a Morte ceifou "antes de tempo"... Com perda para todos.

A diferença entre os seus 15,63 metros de 1964 e os 21,01 conseguidos no Europeu 2010, é nada no pódio da alegria onde que sempre o vi entre os melhores.

AMI, go!...

Uma amiga minha telefonou-me ontem a propor que subscrevesse a candidatura do Dr. Fernando Nobre à presidência da República Portuguesa. Suavemente, disse-lhe NÃO. E expliquei que a "disponibilidade" do presidente da AMI me irritara, pela simples razão de sempre lha ter admirado, enquanto médico, com direito a condecorações, para acudir ao próximo onde quer que fosse.

E ficámos assim: compatíveis, como dantes...

Desligado o telefone, porém, lembrei do "Princípio de Peter", que, há 40 anos, tanto me impressionou: "Numa hierarquia todo o empregado tende a elevar-se ao seu nível de incompetência".

 E, mentalmente, foi como se tivesse de novo ao telefone com a minha amiga,  para lhe dizer, no fundo, o mesmo: AMI, go!... Amigos com dantes, também. O certo pelo incerto.

Portugal está doente, sem dúvida, mas não é, a meu ver, em Belém que está a cura... Se, por acaso, este Belém fosse o dos milagres, ainda vá que não vá... Assim... Assim, repito: AMI,vamos a isto!...