sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Esboceto

Não sei se a Chuva Miudinha que, durante um década, "caiu" em Coimbra, alguma vez molhou alguém, mas...

Mas... 21 de Maio de 1989 (se tiver alguma actualidade, digam-me, por favor...):

"Tema, sério e actual, a pedir chuva e, porque não?, ensaio de grande fôlego: como nascem, hoje, as guerras entre os povos. Afastado o eventual ridículo desta pública reflexão acerca de assunto tão multifacetado e importante, excluam-se, por excessivamente complexas para o pequeno espaço de uma crónica (...), as determinantes sociopolíticas existentes à partida no país berço do potencial candidato à revolta - futura e adulta (na idade). Dos múltiplos possíveis, crie-se um cenário.

Aproximemo-nos da célula-base e observemos, ainda que a traços muito largos, a família do cidadão da "história" breve. Imaginemos o dito "candidato", apesar de tudo, de preferência num clima físico de temperatura a roçar o tórrido, ou tão húmido que esbodegante: filho de pais com pouco saber, em cujo lar a harmonia conjugal nunca, ou quase nunca, fez parte do quotidiano;

nascido de uma ligação falhada, num ambiente de telha-vã, super-habitado, quente de sexo, mas privado da verdadeira generosidade afectiva, onde as carências alimentares e outras, se revelaram o pão de cada dia;

criado no desinteresse pelas coisas da instrução, num meio de que os valores morais sempre estiveram ausentes; edifício sem alicerces, seguido à margem da palavra autorizada de uns pais que se desejariam conhecedores e atentos;

a escola, desde a idade que era devida, não lhe foi, naturalmente, tornada uma necessidade;

faltou uma vez, faltou duas, faltou três, uma dúzia - chumbou;

disse que queria trabalhar, mentiu e descobriu o fumo, descobriu os fumos, que os pais não souberam prevenir, nem lhes criaram, a eles próprios, condições para ver e evitar;

ignorou, dia sim, dia não, as obrigações sociais que a convivência impõe;

tentou observar o que se passava à sua roda, olhou para progenitores desgarrados, ou mesmo fisicamente separados, queria ser gente, mas ninguém lhe soube responder;

em dado momento, lembraram-lhe que tinha que ser soldado e, quiçá, ir para a guerra;

assaltaram-no, então, ideias de fuga de uma pátria que não aprendera a sentir, cobiçou o "alheio", viveu na noite;

teve problemas de saúde, por erros de uma maternidade e paternidade inconscientes.


Tem fome. Fome de tudo. E não sabe porquê. Isola-se. Acusa. Desata a confundir o bem com o mal. Mina-o um bicho a que os demais apelidam de angústia. Despreza os seus semelhantes. Sem saber como, engendra filhos a qualquer esquina. Tomba, levanta-se. Tomba, tomba, tomba. Aceita vestir-se de mercenário. Quer lutar - porque está revoltado, incapaz de, para tanto, descortinar razões. Pega numa arma. Acha tudo natural. Matar? "O quê, está errado?..."Morre. Novo. Deixa filhos - como ele. Filhos que se multiplicam num espaço físico com fronteiras aramadas.

O povo, menino, anda por lá, esfomeado, sem escudo interior que lhe valha, a brincar com espingardas de pau, enquanto uns senhores, bem nutridos, em gabinetes à prova de bala, ali mesmo ao lado, discutem ideologias e analisam as últimas violações dos Direitos do Homem.

Mais tarde, produzem-se páginas negras e páginas brancas. Elaboram-se as estatísticas, compilam-se números, alinham-se nomes: por exemplo: "morreu fulano, filho de pai incógnito e de...". Escrevem-se romances. Falta (re) começar. Pelos livros de poesia que falam de todas as espécies de pão - e, portanto, também da Branca de Neve e os Sete Anões, também do sonho."

O gesto e os gestos

A actualidade simples de parte de um apontamento que assinei no jornal "A Tarde", em 30 de Dezembro de 1985:

"(...) Crónica da Fadiga, dir-se-á. Não! Crónica de termo de etapa, sim! Finalmente, crónica-gesto e crónica de gestos:

 . para a Desilusão, o gesto; para a Esperança, os gestos;

 . para a Mentira, o gesto; para a Verdade, os gestos;

 . para a Intriga, o gesto; para a Transparência, os gestos;

 . para a Preguiça, o gesto; para o Trabalho, os gestos.

Para o Ano Velho, o gesto; para o Novo, os gestos.

Gesto-Bordalo; gestos-aplauso, abraço. Gestos de Boas Festas e Feliz Ano Novo."

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

De Portugal Contemporâneo, os melhores: Agostinho da Silva

Apresentado por António Valdemar, conheci pessoalmente o Prof. Agostinho da Silva há cerca de 30 anos, na sua casa da Travessa do Abarracamento de Peniche, 7-3º, em Lisboa, onde se entrava, salvo erro, após três toques na campaínha da porta, espécie de código que franqueava o acesso desejado.


Agostinho da Silva, presente! "Licenciado em liberdade" e "doutorado em raiva".


Das suas Cartas Várias o eventual revigoramento de que precisamos:


"Chegado aos 80, que faço hoje mesmo (13.2.86), pareceu-me que seria interessante, pelo menos para mim, dizer alguma coisa aos Amigos. A primeira é a de que a saúde parece ir bem, com o coração reeducado a nitroglicerina - pelo menos para que não tenha medo do terrorismo internacional - e com a chamada vida material, de tão alto interesse de espírito, sustentada pela pensão brasileira da Universidade Federal de  Santa Catarina, pela, por enquanto, bolsa de estudo do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, e por quem acha, com alguma extravagância, que é útil que eu exista e continue fazendo algum trabalho.


Para regularizar este ponto, estou criando, na fantasia e no concreto (já funciona há mais de um ano) uma, chamemos-lhe assim, FUNDAÇÃO, de que um dia vos falarei mais de largo, na qual deposito toda a bolsa do ICALP e o que poupo do resto ou contribuem Amigos."


"Do que será, para o futuro, a FUNDAÇÃO decidirão os Fados (...) Escusado será dizer que da FUNDAÇÃO todos são criadores e sócios, ou companheiros, que é este o sentido próprio da palavra latina de que a nossa vem: até, talvez seja melhor a de "companheiros", pois que no corpo desta se inclui a de "pão", connosco, "com", consumido e saboreado (...).


Todos serão chamados (...) e todos serão eleitos. E, como bem me conheço, talvez só a mim me exclua; ou, como seria melhor, talvez até de mim me esqueça."


Senhora, senhoras, senhores da Cultura, de que estamos à espera? Falta cumprir Agostinho da Silva!...

Fale-se a Angola, a Macau, a Cabo Verde, a Moçambique, à Guiné-Bissau, a Goa, a Malaca, a S. Tomé e Principe, a este, àquele, aqueloutro, a TODOS. Nos domínios da Cultura, da Economia - sem paternalismos.

Mas comecemos. Ou recomecemos. Talvez colocando, se ainda não está, uma placa no número 7, da rua do Abarramento de Peniche, em Lisboa, para assinalar esse RECOMEÇO.

Se alguém tiver essa possibilidade, faça chegar, por favor, esta ideia, para já, à (nossa) Senhora Ministra da Cultura, que me parece... Tenho fé.

Respeitemo-nos. Respeite-se a memória de Agostinho da Silva, que tanto dizíamos amar.

Actualidade: debate Cavaco-Alegre nas falas do povo


Saudade do Dr. Paulo Soromenho, Professor e Amigo

Olha o gajo está a arrear a canastra - Insultar, proferir palavras insultuosas a outrem.

Queres ver isto...: ai que a gente mija-se - O m.q. a gente zanga-se.

O tipo agora ficou como o carrapato na lama - Diz-se de quem se estende ao comprido por queda.

Olha o machacaz!... - Manhoso, espertalhão, astucioso.

É assim: quando a sorte é maniversa nada acode ao desinfeliz - Quando a desgraça tem de acontecer nada a impede.

Filho da puta, é mesmo um inverecundo - Que não tem vergonha; descarado.

Olha, olha o fulano a jurar pelas tripas de Judas - Juramento ou promessa que não se tem intenção de cumprir.

Os dois são uns tralhas-malhas - Individuo que usa de manhas astuciosas.

Parecem-me os dois de cucunhas - De cócoras.

Esta merda vai dar em vaza-barris - Estar de pantanas, arruinado.

Aqueles marmelos estão com uma vaidade! - Frase que se aplica a qualquer coisa que se considera quase certa, mas que se sabe não vai conseguir.

Quero lá saber: eles que se avenham - O m. q. "lá se entendam".

O que eles sabem é sernir, sernir e não deitar pó - Fingir que trabalha muito e não se ver nada feito.

Tanta gente no Parlamento para quê? Sete alfaiates para matar uma ranha - Diz-se de quando são muitas pessoas a tentar dar solução a uma coisa sem o conseguir.

Estes gajos estão a precisar de uma valente repetoca - Repreensão, descompostura.

É o costume, fazem-se de Inês d'Horta - Fazer-se desentendido, fingir-se parvo ou tolo.

São todos uns tralhas-malhas - Indivíduo que usa de manhas astuciosas.

Fazer é que não fazem: é pouco mal e bem gemido - Frase dita acerca de quem abusa de queixas de padecimentos para se eximir do cumprimento de deveres profissionais ou de cortesia.

Olha lá está ele a cantar a Palinódia - Desdizer-se.

 São todos parvos ou metem os pés para dentro - Maneira brincalhona de chamar palerma.

Atenção, rapazes! Lindos olhos tem o mocho - Expressão empregada no sentido de deprimir alguém, que não se vai em cantigas.

Aquele gajo é bestialógico - Diz-se de uma exposição em que o aluno fala muito bem, mas diz coisas pouco acertadas.

in Dicionário de Expressões Populares Portuguesas


Arte contemporânea - LISBOA 2010

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"Diário de Notícias" - Hoje: 1º dia do ano 147

Quarenta e sete depois de 12 anos a "cheirar papel" (saí no ano do centenário) a confraternização possível, em almoço em Lisboa, na "Associação 25 de Abril", onde apenas cinco ou seis companheiros eram "daquele tempo"... Festejámo-nos, festejámos o 147º aniversário do "DIÁRIO DE NOTÍCIAS" - com os "mais novos"...

Não se pode dizer que tenha havido discursos, mas houve abraços. E um até sempre, que se desejou renovar - em 2011, 2012, etc, etc.

PRAVDA - 16 de Fevereiro de 1987 ( VI ) *

Do Congresso dos Jornalistas da Ucrânia

"(...) Os ajustes de contas com jornalistas atingem por vezes as raias do ridículo. Cegos de raiva, certos indivíduos perdem a noção do que fazem. Por exemplo, em vésperas da estação fria, o jornal "Kertchenski Rabotchi", numa série de artigos, criticou a inoperacionalidade da empresa de aquecimento "Kertchteplocommunergo". Quando começou o Inverno, o aquecimento central da redacção do jornal foi cortado durante muito tempo."

* Edição biligue.

"O oitavo soneto do Português Errante"

"Fui Gonçalo da Maia o Lidador
campeando por meu reino imaginário
e entre ser e não ser em Elsenor
já fui o desditoso o solitário.

Fui Príncipe banido deserdado
três vezes cativo em Aquitânia
trago um país de exílio desterrado
na grande solidão de Lusitânia

Viúvo sempre de qualquer idílio
eu sou o peregrino o desditoso
que a si mesmo se busca e não se encontra.

O meu próprio país é meu exílio
por isso o meu combate é sem repouso.
Eu sou o que nasceu para ser contra."

Manuel Alegre in "Obra Poética"

Poeta Alegre

"O poeta é um fingidor..."

Será, mas acabo de rever a Obra Poética de Manuel Alegre e, entusiasmado, acho que ele não foi um fingidor. NÃO FOI!  Escreveu  verdades. "Limitou-se", como só ele sabe, a transmitir verdades urbi et orbi.

Logo, logo, pelo menos por essa razão, não pode ser Presidente da República, não pode exercer (lamento!...), pela calada,  "magistratura de influência".Não é essa a sua forma de estar e ser. Quiçá, inspiradora de fados. Não é homem para isso.

Em nome da coerência, de que, aliás, Alegre já deu bastas provas no passado, por favor, não insistam com o senhor. Não perturbem as musas.









Viva o poeta Alegre!

Aguardemos, entretanto, mais trovas do tempo que passa.

Supositórios

Da imprensa e/ou da RTP:

"Finanças dizem não terem razões para demitir nenhum gestor público."


"Tribunal de Contas diz que há fundamentos para despedir gestores."



Portugal tem 308 municípios e 4251 freguesias. "A autarquia de Santa Marta de Penaguião termina o ano sem dever um cêntimo."

O sapateiro-cicerone que cuidava do património municipal

Já vinha a sair da capela , quando, solicito, da porta ao lado, um dos que me vira entrar minutos antes, com ar forasteiro, me olhou fixamente e meteu conversa:

- Gostou da igreja?...

- Gostei... - respondi, seco, surpreendido, enquanto ainda digeria a talha barroca daquele interior de recolhimento católico. - É bonita! - acrescentei, compondo o troco e dispondo-me à conversa, que, pelos modos, prometia.

- Tomo conta desta igreja, com a minha mãe, há quarenta e cinco anos. Não quer entrar?...

- Com certeza!... - dispus-me, risonho, vagaroso, a ver tudo de novo, agora com cicerone...

No aconchego vacilante das meias luzes dos pavios espetados na cera que alumiavam o interior da capela, duas velhas rezavam e dividiam olhares entre Cristo crucificado e quem chegava. Surgimos do parte lateral do altar-mor, como padre e sacristão em hora de missa.

- Aqueles azulejos que estão junto às imagens - apontava o meu anfitrião - foram tirados da zona donde viemos. Esta é a capela da Ajuda, que, fundamentalmente, faz de casa mortuária da cidade. Recebeu muitos benefícios para o efeito, mas nem toda a gente vê com bons olhos as obras realizadas... Sou sapateiro e  também faço coleiras para cães... Tenho uma pequena indústria cá em Penafiel e...cuido da capela - explicou-se. - Um dia, esteve aqui um jornalista e eu relatei-lhe como é que isto estava antes dos melhoramentos.

Houve quem não gostasse e fui mal tratado no "Notícias" da terra por um doutor que não gostou do que eu disse... Respondi-lhe ponto por ponto... Hoje somos amigos. Se o senhor tiver tempo, mostro-lhe os recortes dos jornais...

- Dizem-se missas nesta capela?... - atalhei, arrefecendo desabafos.

- Olhe, são quase seis e meia da tarde e vai haver uma reza... Tenho que ir tocar o sino... Se puder, volte para ver os recortes...

Não voltei. Soube, pouco depois, à mesa de um café local, que o sapateiro em questão é homem de muitas falas, que ata e desata acerca de tudo... O que ninguém me disse, é que, ali, como noutras terras do país, há património municipal (para não subir mais no escalão...) que "vive" da boa vontade dos mestres de sete ofícios que temos e que insistem em tocar o sino a horas certas...

Privilégios do pobre (Juan del Valle y Caviedes - 1652-1696) *











Se se cala, o pobre é parvo;
um maçador, se é palreiro;
bisbilhoteiro, se sabe;
se afável, é embusteiro;
se é gentil, intrometido,
se não atura, é soberbo;
cobarde, quando é humilde,
se é audaz, não possui tento;
se é valente, é temerário;
presunçoso, se é discreto;
adulador, se obedece,
se algo recusa, é grosseiro;
com pretensões, atrevido;
com méritos, não ganha apreço;
sua nobreza é oculta,
sua veste sem esmero;
se trabalha, é ambicioso,
e, pelo contrário extremo,
um perdido, se descansa...
Vejam bem que privilégio!

* in "Rosa do Mundo"

A canção da fome (Georg Weerth - 1822-1856) *











Prezado senhor e rei,
Sabes a notícia grada?
Segunda comemos pouco
Terça não comemos nada.

Quarta sofremos miséria,
E quinta passámos fome;
Na sexta quase nos fomos -
Não se aguenta quem não come!

Por isso vê se no sábado
Mandas cozer o pãozinho,
Senão no domingo, ó rei
Vamos comer-te inteirinho!

* in "Rosa do Mundo"

António Xavier Trindade - Goa presente!

Apetece-me trazer de novo Goa a este espaço e imaginar-me, em Novembro findo, a comungar de alegrias não decretadas, marinheiro da Sagres como os demais, à chegada ao porto de Mormugão; ou a recuar no tempo (a 1980, por exemplo) e recordar abraços, sorrisos, palavras, fraternidades sem medo, monumentos não derrubados, casas, costumes, saudades, fotografias ciosamente guardadas, Camões, S. Francisco Xavier, Vasco da Gama, orgulhosos jornais na nossa língua e...e o invisível da Cultura que deixámos.

Cito: "Xavier Trindade (1870-1935) é um pintor de origem portuguesa (...). Tem no sangue a Europa pelo lado português, católico de nascimento e educação, e a India onde sempre viveu. (...) Tendo fama como retratista, era solicitado por clientes europeus, mas também por indianos de diferentes castas e etnias (...)."

E não pararia de citar - nomes e obras. Todos ao mesmo nível na saudade que nos deixaram e, por vezes, no "património imaterial" que nos legaram. Fica o apontamento que tem um anexo: abraços de Boas Festas para todos os goeses - os que, no Mormugão, receberam a Sagres e os que "tiveram outras coisas para fazer - em nome de, da, dos..."

Supositórios

Se é milionário não é teso, não é verdade?!... Ora não sendo teso, não se percebe a notícia: Hugh Hefner vai casar-se com namorada 60 anos mais nova.

Uma dor de cabeça, coitado.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Homenagem a Bocage *

Se eu fosse Lusitano

Do Portugal sem trabalho

Ia a S.Bento p´ro ano

E mandava-os p´ro ... cascalho

* falecido em Dezembro de 1805.

O Natal da nossa preocupação

"Aí está * o Natal. Um pouco por toda a parte, as ruas e as casas enfeitaram-se, ostentando um ar de alegria e de fraternidade que infelizmente, não chega a durar mais que escassas horas. As pessoas sorriem mais, são mais corteses, mais compreensivas, mais humanas, procurando dar-se as mãos, como seria óptimo que fizessem ao longo de todo os dias do ano.


As lojas ficam apinhadas e "todo o mundo" ciranda de um lado o outro, atafulhado de embrulhos com papel colorido e laçarotes brilhantes. São as prendas que se trocam, também elas significando as características de aproximação que o Natal propicia, fazendo esquecer muito daquilo que, no dia a dia, nos espera e, quantas vezes, isola.


Desta vez assim acontece, também, mas com algumas diferenças, mais ou menos perceptíveis.
Por um lado a inflação galopante, a fazer sumir o dinheiro das bolsas esprimidas das portugueses, torna menos rendoso o negócio dos estabelecimentos, apesar de tudo, muito visitados. Só que, agora, as pessoas vêem  mais e compram menos, não disfarçado o olhar triste por não poderem chegar aquilo que gostariam de adquirir.


Por outro lado, percebe-se com toda aclareza a desvalorização deslizante do (...).


É esta, em pinceladas rápidas, a feição dominante neste Natal, onde nem sequer o movimento destes dias, em que estabelecimentos comerciais abrem as portas até mais tarde, se pode comparar ao de anos anteriores. Menos gente, menos compras, menos azáfama. E que não se diga, depois, que é por causa do frio.


O Natal serve, por isso, também, para deixar uma imagem, ainda que pálida, sobre a tomada de medidas que viabilizem a recuperação que vai tardando. Não é caso para dizer que será um Natal menos alegre, já que que o calor humano, esse, apesar de tudo, não esfriou, mas é, sem dúvida, o Natal da nossa preocupação."

José Alcino.

O luso Natal por um canudo...
* "Jornal Novo" de 23 de Dezembro de 1978

Ninguém!...

 Camelos e automóveis numa rua do Cairo. Foto M.P.
Alguém, ao volante, sem conta-quilómetros no carro, travou de repente para não esmagar um gato: não teve importância, foi só pneu...

Alguém ao volante, distraído, "encostou" ao da frente: não teve importância, foi só (pouca) chapa)...

Alguém, ao volante, meteu travões a fundo e surpreendeu, "sem consequências", um peão: não teve importância, tratou-se apenas de um susto...

Alguém, ao volante, fez embater, violentamente, lata com lata: não teve importância, salvaram-se os ocupantes e o resto foi o seguro que pagou...

Alguém, ao volante, derrubou um peão fora da passadeira: coisa grave, mas...paciência, quem mandou ignorar regras...

Alguém não pintou os traços brancos transversais na via: não há-de ser nada..., disse-se.

Alguém ao volante, atropelou um peão na passadeira: que fazer? O trânsito é muito e o Governo...

Alguém, ao volante, matou: que maçada!... O defunto era boa pessoas...

Alguém, de novo gritou MORTE, sobre a zebra ou fora dela: ouviram-se ais e comentou-se o caso em família...

Alguém pediu responsabilidades. Alguém, como sempre, respondeu: NINGUÉM!

O Prontuário

Numa altura em que, por força da força, vamos passar a escrever de maneira diferente, o Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa, de Magnus Bergström e Neves Reis, terá que, urgentemente, ceder o lugar a outro manual que nos ajude a bem escrever e bem dizer o idioma de Camões, recordo com saudade os seus autores.


Lembro-me de ambos na década de cinquenta do século passado. Eram tempos em que, assíduo da biblioteca e da tesouraria do "Diário de Notícias", Ferreira de Castro andava às voltas com "As Maravilhas Artísticas do Mundo"; em que, persistente, Armando de Aguiar não largava Caetano Beirão, a propósito de "O Mundo que os Portugueses Criaram"; em que, discreto, mas eficaz, João Gaspar Simões publicava a "História da Poesia Portuguesa";  em que, altivo e de monóculo, Carlos Selvagem se preparava para dissertar acerca do Condestrabe; em que Reynaldo dos Santos, sem se ver, trabalhava nos "Oito Séculos de Arte Portuguesa".


Magnus (Albrecht) Bergström, cabo-verdiano de nascimento, professor do Ensino Técnico, ele próprio autor de, entre outros títulos, "Coitas de Amor", "Amor e Saudade em Portugal" e "Alcovas de Antanho", chefiava, então, a Editorial Notícias. Apaixonado da obra camoniana, estou a vê-lo nos corredores do edifício do "Diário de Notícias", ora como que nas nuvens, ora vibrante, lendo as últimas passagens do manuscrito das "Coitas de Amor"ao seu amigo e compadre (ouvinte atento), Filomeno de Sousa Leite, cuja tese sobre o Saneamento do Escudo não passara no doutoramento pela Universidade de Lisboa e que vivia humilde e dedicado à investigação e ensino e a uma secção de controlo contabilístico, na empresa proprietária do DN.


De (Raúl) Neves Reis, jornalista e chefe de redacção do "Mundo Desportivo", a memória que tenho é menos viva. Recordo-o na biblioteca do"Diário de Notícias", mas a imagem que me ficou é a de um homem recatado, sóbrio, mais dado ao estudo do que às emoções dos estádios, que, por dever de ofício, acompanhou. Ignoro se, no Prontuário, a sua colaboração prática foi muito além do Vocabulário Desportivo, mas tenho a sensação de que Magnus Bergström, suave, teve sempre em Neves Reis o companheiro de equipa, decidido e rigoroso que se impunha.


Certidão:


Bergström, viveu de 18 de Outubro de 1880 a 11 de Julho de 1960; Reis, de 11 de Outubro de 1890 a 18 de Agosto de 1960. Trabalharam anos a fio para que, anos a fio, o seu Guia...guiasse.


De facto.
De fato.
Paz à sua alma.






Nota de rodapé: este apontamento foi publicado na imprensa em 1991! Retoma-se. Será agora?

Supositórios

"Produzir e poupar, manda o salazar"

Goa à beira do Mandovi ( IV )

Os altares colaterais da capela de Santo António, em Goa, já não têm retábulos, vendo-se hoje (é o que li... Não tive oportunidade de visitar) apenas  um quadro e imagens dos Santos Médicos. No quadro de Nossa Senhora das Febres lêem-se os versos de que se deixa registo "nesta NET que (não) tem tudo".


Virgem das febres q'a todos curais
Vede q'as minhas são mais perigozas
São febres da alma q' por serem tais
Serão as mezinhas muito mais famosas
Febre de avareza no meu pulso achais
A... tendo eu soberba com mais cem mil couzas
Vede meu perigo Virge nesta hora
Curai esta alma q... e vos chora

II

Virge q das febres sois chamada
Diante de vos me humilho miseravel
Cõ febres de cõtino abrazada
Mostrai vos comigo Virge favoravel
Para q' deste mal seja curada
E vosso nome seja mais louvavel

Queridos Goeses

Se aí aparecer um ou outro dos nossos que não vos trate com a dignidade humana e histórica que mereceis, mostrai-lhe a bandeira portuguesa que guardais no vosso coração e levai-o, se possivel, ao altar da Senhora das Febres, porque pode estar doente e a precisar do vosso auxílio.

Bem-hajam! 

Confissão laica

Se os simpáticos que aqui me "visitam" soubessem as coisas que enchem os miolos de um septuagenário sentado num banco de jardim, frente a um coreto...

Confissão laica:

agora que o tema reformas "por limite de idade" (?), ou não, está, pelas piores razões, na agenda dos políticos, a "anedota" - pessoal (pessoal, para que saia límpida...): imagine-se, na circunstância, no "Diário de Notícias", uma sala com umas cinquenta pessoas, sem nenhum compartimento físico a separá-las;

imagine-se, nesse espaço, um jovem (17 anos?...) a levantar-se do seu "posto de trabalho" para ir perguntar, dez metros adiante, ao dirigente sindical seu colega mais velho, naturalmente (e então também vereador alfacinha, com direito, por isso, a "um par de corvos"...), sem qualquer constrangimento, "como é que é isso da reforma?..."

Ouviu-se uma gargalhada geral.

E... e "cá estou", no jardim, oportunamente esclarecido, após mais de uma dezena de empregos, quatro décadas, ininterruptas, depois da pergunta ao colega sindicalista - que, no caso, acumulava, na C.M.L., com o tacho de vereador que lhe conferia, nomeadamente, direito (como hoje?) a "um par de corvos..." Ao peito, claro.

Olho à minha volta: o coreto está vazio. Mas mesmo que não estivesse, a música não me interessaria, por certo. Uma parte das modas modernas picam miolos de pais e avós...

CERCI Lisboa - Espaço de luz

Com o Nuno Cerqueira - TODOS!

Amanhã é Natal, e hoje também, e depois de amanhã volta a ser.

 Na segunda-feira já foi Natal, mas ainda é... E continua a ser na terça que é véspera de quarta, que não falha o Natal para que a quinta-feira não diga que não sabia de nada...

 Tanto mais que a sexta-feira, a que é parecida com o dia seguinte, quer terminar o ano a pensar noutras Natividades.

Para que o mundo não acabe e haja Poesia sempre - como naquela tarde de 22 de Março de 2000, contigo e os teus companheiros cercianos nesse Espaço de luz em que, afinal, o Presépio acontece todos os dias.

Boas Festas!

Reler Santo Agostinho ( II )

"Um corpo, formado de membros todos belos, é muito mais belo que cada um dos seus membros de cuja conexão harmoniosíssima se forma o conjunto, posto que também cada membro separadamente, tenha uma beleza peculiar."

"Conservo tudo isto na memória e, bem assim, o modo por que o aprendi. Retenho na memória as muitas disputas que ouvi, cheias de erros contra estas verdades. Ainda que falsas, não é falso lembrar-me delas. Recordo-me também de ter sabido, nessas disputas, discernir as verdades das falsidades."

Supositórios

Instituições Particulares de Solidariedade Social que estão em vias de fechar as portas - lê-se. Não pagavam IVA e passam a pagar 23%!...


Digam ao Padre Melícias que é um homem muito dado e influente.

Goa - o Sino de Ouro

O Sino de Ouro, diz-se, "é o maior de Goa" e "um dos melhores de todo o mundo".

Terá inspirado Tomás Ribeiro:

Tange, sino doiro, tange
na velha torre da Sé,
que o teu convite inda abrange,
um grande império onde há fé.
Em todo o país da aurora
à tua voz reverente
se descobre, pára e ora
o imenso povo cristão,
a tua voz inda soa
desde as ruínas de Goa
até ao flóreo Japão;
desde Ormuz ao Guzerate,
desde Timor a Pekim,
desde Ceilão a Surrate,
desde Cambaia a Cochim,
soa sempre e só desmaia
nas planuras do Himalaia,
do sul nos mares sem fim!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Reler Santo Agostinho ( I )

"(...) Ignorante precipitava-me tão cegamente que, entre os companheiros da minha idade, me envergonhava de ser menos infame do que eles. Ouvia-os jactarem-se de suas ignomínias e tanto mais se gloriavam quanto mais depravados eram. Assim praticava o mal não só pelo deleite da acção, mas ainda para ser louvado.

(...) Eu para não ser vituperado, fazia-me cada vez mais vicioso (...) fingia ter cometido o que não praticara, para que não parecesse mais abjecto quanto mais inocente, e mais vil quanto mais casto."

Urbano Tavares Rodrigues - presente!

(Este seu/meu livro foi-me oferecido pela minha neta e pela minha filha quando fiz 55 anos...)
Ainda vou a tempo: parabéns, Prof. Urbano Tavares Rodrigues. Que conte muitos!

As minhas homenagens à sua coerência vão aí, nas breves linhas que lhe dediquei em 1993 - em liberdade, no "Diário de Coimbra".

"Eu, que não tinha especial admiração por Urbano Tavares Rodrigues, embora lhe conhecesse parte da obra literária e o calor que punha na defesa dos seus ideais, sou, de repente, confrontado com a entrevista concedida há dias ao "Diário de Notícias" pelo autor de "Horas Perdidas", que, pelo menos, à primeira vista, me pareceu de grande coragem política e intelectual.

Documento os leitores, relembrando breves passagens desse depoimento:

"Desmoronou-se muito do mundo em que acreditava..."

"Foi horrível! Foi horrível ver que aquele mundo (comunista) não era o que imaginava, que era outra coisa; embora eu soubesse que havia nele muitos defeitos, pensava que tudo se ia resolver e que a democracia socialista seria implantada"

"Estou no Partido Comunista porque acredito ser dentro dele que, apesar de tudo, pode vir a surgir algo de novo..."

Que pena tamanho desassombro anteceder o lançamento comercial de um livro seu... Esta sociedade de consumo..."

E mais não escrevi.

(87!!! Bravo! Ainda mantém as quotas em dia, Professor?... Diga-me que sim.)

PRAVDA - 16 de Fevereiro de 1987 ( V ) *

A. Kitaiev (Ivanovo)

"O plenário de Janeiro mostrou a verdade às pessoas e isso reflectiu-se no seu comportamento: as pessoas são menos grosseiras nos eléctricos, nos autocarros e nas bichas. O povo apoia as decisões do CC!

Há muito tempo que não viamos uma análise tão sincera e tão profunda das causas da estagnação em todas as esferas da nossa vida.

Durante muito tempo passamos  a vida a bater palmas como paus mandados.

Não havia ninguém que se levantasse e dissesse a verdade. Tinhamos medo."


* Edição bilingue.

Supositórios

DISCUTE-SE O SALÁRIO MÍNIMO.

SUGIRO

QUE SE DISCUTA O SALÁRIO MÁXIMO.

Goa à beira do Mandovi ( I )


Um abraço, Goa da minha saudade!


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Saudade de José Franco - Poeta do Barro


José Franco:"Jorge Amado tem a chave da minha casa e eu tenho a da casa dele, na Baía"


O limpa-palavras *

Com as melhores recordações de uma companheira na Comunidade de Leitores da Culturgest, que me ofereceu, há uns anos,  este "O LIMPA-PALAVRAS", para ser lido aos jovens da CERCI Lisboa (Espaço da Luz). 

Retomo-o agora com um abraço para todos os pais dos cercianos deficientes intelectuais -  onde quer que estejam...

Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:
a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.

Quase todas as palavras
precisam de ser limpas e acariciadas:
a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar,
Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
e do mau uso
Muitas chegam doentes,
outras simplesmente gastas, estafadas,
dobradas pelo peso das coisas
que trazem às costas.

A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume do ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asa para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papéis no ar
e é preciso fechá-la na arrecadação.

No fim de tudo voltam os olhos para a luz
e vão para longe,
leves palavras voadoras
sem nada que as prenda à terra,
outra vez nascidas pela minha mão:
a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.

A palavra obrigado, agradece-me.
As outras não.
A palavra adeus, despede-se.
As outra já lá vão, belas palavras lisas
e lavadas como seixos do rio:
a palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.

Vão à procura de quem as queira dizer,
de mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes a mão para apanhares
a palavra barco ou a palavra amor.

Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.













* de Álvaro Magalhães

Natal africano












Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz ... Mas é Natal.


Que ar abafado! A chuva banha
A terra, morna e vertical
Plantas de flora mais estranha,
Aves de fauna tropical.


Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.


Nem há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.

Cabral do Nascimento, de cuja figura guardo pessoal e tranquila imagem, algures em ...(?)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Perfil para ministro das Finanças*, precisa-se

Não estou no Banco do Jardim, estou num banco de jardim...
E não sou o endireita da Esperança, que era um homem que, em Lisboa, no bairro da Madragoa, "arranjava os ossos das pessoas..."

Sem nenhuma ordem especial, as personalidades que se seguem são algumas das que, se não erro,
estiveram à frente da lusa pasta das Finanças nos últimos 80 anos:





- Vieira de Almeida

- Medina Carreira

- Oliveira Salazar

- Jacinto Nunes

- Salgado Zenha

- Pinto Barbosa

- Silva Lopes

- Cavaco Silva

- Costa Leite

- Vitor Constâncio

- Ulisses Cortês

- Sousa Franco

- Miguel Cadilhe

- Eduardo Catroga

- Teixeira dos Santos

- João Salgueiro

- Manuela Ferreira Leite

- Campos e Cunha

- Ernâni Lopes

- Bagão Félix

O exercício/proposta (trabalhoso/a...) é o/a seguinte: analisar o País, época por época, e concluir por um perfil...

. SEM, essencialmente,

- Polícia política

- Censura

- Entraves à livre circulação e reunião

. COM, essencialmente,

- Direito à greve

- Direito à liberdade de expressão.

Em suma:

perfil para Ministro das Finanças de Portugal, precisa-se.

Aceitam-se sugestões (que podem incluir um outro,em jeito de exercício, mais complicado, para Chefe de Ministro...) a que procurarei dar oportuna, ainda que eventualmente modesta, divulgação.

É tudo. Por agora. Como estamos é que não pode ser... Digo eu, que não me chamando Zé, nasci nos arredores das Caldas...

Entretenham-se. Pode ser um excelente exercício (*pode adaptar-se a outras pastas ... É uma questão de pesquisa).

Facturas

" (...) depois dos discursos (1994) sobre facturas falsas em que tanto se discorre acerca do que alguns terão pago e outros ainda devem, chega-me de Braga, à mistura com votos de prosperidades, esta conta de trabalhos realizados no Bom Jesus do Monte, que vou, por estes dias, indagar se está liquidada, para, em caso negativo, ver se ainda é possível enviá-la para Bruxelas, a fim de a incluir nos lusos gastos com a defesa do património. Ao menos esta, embora atrasada (1868), é autêntica:

- Por corrigir os Dez Mandamentos, embelezar Pôncio Pilatos e mudar-lhe as fitas: 1$700

- Um rabo novo para o galo de S. Pedro e pintar-lhe a crista: $600

- Dourar e pôr novas penas na asa esquerda do Anjo-da-Guarda: 1$230

- Lavar o criado do Sumo Sacerdote e pintar-lhe as suíças: 1$000

- Tirar as nódoas do filho de Tobias: 2$000

- Uns brincos novos para a filha de Abraão: $930

- Avivar as chamas do Inferno, pôr um rabo novo no Diabo, fazer vários consertos nos condenados: 2$400

- Renovar o céu, arranjar as estrelas e limpar a Lua: 1$400

- Retocar o Purgatório e pôr-lhe as almas novas: 1$830

- Compor o fato e a cabeleira do Herodes: 1$000

- Meter uma pedra nova na funda de David, engrossar a cabeça de Golias e alargar
  as pernas de Saul: 1$200

- Adornar a Arca de Noé, compor a túnica do filho pródigo e limpar a orelha esquerda: $600.

SOMA: 14$890.