sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"As Luzes de Leonor" - em debate (3)











"DIÁRIO

Continuo de bom grado cativa da poesia.

Trato que mantenho desde sempre com as palavras da escrita.

Mais do que nunca senhora do meu próprio destino, embora de mim veja um imenso deserto a que me querem condenada; a tentarem matar a sede de independência e de conhecimento que me impele.

A tentarem acirrar-me a franja dos nervos.

Arnês de ferro?

Grilhetas com que gostariam de prender-me pulsos e tornozelos, na tentativa de me impeçar os passos, de me cercear o voo, tão necessários para alcançar a glória.

Debato-me no arrebatamento, na ânsia de chegar cada vez mais longe e de ir mais além, apesar de nada ter concorrido na minha vida no sentido da felicidade. Num pensamento de futuro extraviado.

Exílio.

A lutar o que o posso contra a solidão e o isolamento
a que Portugal parece querer-me votada.

Madrid, 8 de Julho de 1803"

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