Sem ideologia, nem culto religioso. Escrito numa rua de um jardim, algures em Lisboa. Tem o prazer da comunicação. Adora o diálogo. E o sorriso leve.Não quer ser veiculo de guerras ou guerrilhas e detesta o "espalhafato" vazio da maior parte das mensagens FACEBOOKanas...
Domingo, 5 de Fevereiro de 2012
Princípio do prazer *
à sua volta os pombos cor de lava
nos arabescos pretos do basalto
e gente, muita gente que passava
e se detinha a olhá-la em sobressalto
no seu olhar havia uma promessa
nos seus quadris dançava um desafio
num relance de barco mas sem pressa
que fosse ao sol-poente pelo rio
trazia nos cabelos um perfume
a derramar-se em praias de alabastro
e um brilho mais sombrio quase lume
de fogo-fátuo a coroar um mastro
seu porte altivo punha à vista o puro
princípio do prazer que caminhava
carnal e nobre e lúcido e seguro
com qualquer coisa de uma orquídea brava
e nas ruas da baixa pombalina
sua blusa encarnada era a bandeira
e o grito da revolta na retina
de quem fosse dela a vida inteira.
* Vasco da Graça Moura in Antologia dos Sessenta Anos
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