Elas acham os portugueses simpáticos, mas há zonas de conflitualidade, conclui uma investigação que permitiu a João Laurentino Neves obter o grau de mestre. O director do Instituto Português do Oriente (IPOR) defendeu recentemente a dissertação na Universidade Aberta. Entre as conclusões a que chegou estão algumas surpreendentes.
João Paulo Meneses
O que pensam as mulheres de Macau sobre os portugueses radicados no território?
João Laurentino Neves, presidente do Instituto Português do Oriente (IPOR), passou das interrogações aos actos e investigou as representações e estereótipos que vigoram sobre os portugueses no território, apresentando as conclusões na tese de mestrado que defendeu recentemente na Universidade Aberta.
“Kuailous ou Po Tao Ya. Imagens no feminino sobre os portugueses em Macau” é o título da dissertação do novo mestre em Relações Interculturais, um texto que se encontra disponível online para consulta.
A propósito do título, que se pode dar a interpretações dissonantes, o autor explica na introdução ao trabalho: “De modo simbólico, o cantonense, língua veicular que prevalece em Macau, regista dois termos que refletem duas representações sociais dos portugueses - Kuailous (diabos brancos) e Po Tao Ya (aquele que vem de Portugal) consagram, de facto, duas percepções diferentes. Será pertinente para a perspetivação das relações sociais envolvendo a comunidade de portugueses, no presente como no futuro, compreender as diferentes tendências existentes que os dois vocábulos traduzem do ponto de vista simbólico”.
Em nota de rodapé acrescenta ainda que “termo kuailou ou kuai-lou (diabo branco) constitui um lexema que, não designando apenas especificamente os portugueses (antes os ocidentais), os teve, porém, entre os seus principais referentes, assinalando, de forma marcada, a oposição ao tôu-sán-chai (filho da terra). É, nos bairros mais tradicionais, ainda usado pela população mais idosa”, esclarece Laurentino Neves.
O autor detalha, naturalmente, o que pretendeu com este trabalho: “Analisar representações sociais e traços de estereotipicidade dos portugueses construídos por mulheres chinesas de Macau”. A partir deste objectivo geral, seria possível, nomeadamente, “identificar situações de contacto e de distância intergrupal”, “apreender atitudes e preconceitos face aos portugueses” ou “explorar perspetivas de futuro para a língua portuguesa em Macau, como factor de integração dos portugueses no território”.
Imagens positivas …
De uma forma muito genérica, “o estudo conclui que as representações sobre os portugueses são, no essencial, de pendor positivo e exibem uma abertura à proximidade social e à participação desta comunidade nas dinâmicas sociais da Região Administrativa Especial de Macau. Mas assinala também áreas de potencial maior conflitualidade na defesa, pelo endogrupo - as 175 mulheres de etnia chinesa, residentes em Macau, entrevistadas por João Laurentino Neves – de áreas vitais de afirmação dessa nova ordem social pós- transferência”. Noutro capítulo, o agora mestre em Relações Interculturais escreve que “efetivamente, as imagens sobre os portugueses são globalmente positivas, no sentido em que as marcas estereotípicas identificadas remetem para traços positivamente valorizados quer na cultura do grupo próprio das inquiridas quer, de facto, na cultura do exogrupo [os portugueses de Macau]”.
O estudo refere em concreto a “predisposição significativamente elevada manifestada pelas inquiridas para a proximidade social com portugueses”.
Na parte em que discute os resultados, o autor destaca por exemplo as “competências sociais dos portugueses, de modo particular a sua simpatia, e a forma como abordam a vida (vista como despreocupada e divertida) mereceram uma significativa valorização positiva pelo endogrupo”, sendo que “os dados apontam no sentido da existência de uma considerável predisposição para atitudes de proximidade social”, ainda que “a avaliar pelos dados ao nível do contacto efetivo, a prática social parece, no entanto, estar ainda longe desta predisposição de princípio que a recolha efetuada com recurso à escala de proximidade social parece sugerir”.
Ainda assim ....
Em determinadas áreas, contudo, “as imagens construídas perdem a positividade e a predisposição para a proximidade recua face a outras”. Uma delas é no “Trabalho”: “Não apenas os estereótipos sobre os portugueses são, nesse campo específico, marcados pela negatividade, como diminui a predisposição para a proximidade quando as relações nesse campo envolvem uma perda de poder do endogrupo, definido através de relações hierárquicas favoráveis a portugueses”. Daí o autor falar em espaço de “potencial conflito social”, citando outro autor. João Laurentino Neves explica mais à frente: “Se é bem aceite a ideia de ter colegas portugueses não o é, como vimos, a de ter chefes portugueses, cuja média do nível de concordância se situa mesmo a um nível que pode ser considerado não positivo”.
Outra área, descrita na dissertação como de “recuo”, verificou-se ao nível das relações interindividuais, “que impliquem a abertura a portugueses de alguns espaços socialmente mais simbólicos (o casamento, o namoro), denotando a intenção de que eles se mantenham preferencialmente no espaço de controlo do endogrupo”.
Chegado a este ponto das conclusões, o autor questiona: “Que espaço entende, pois, o grupo de referência dever existir para uma presença de portugueses no novo contexto político-jurídico de Macau e qual a qualidade dessa presença?”.
A resposta não parece ser animadora: “Apesar do reconhecimento conferido à importância que a presença portuguesa até 1999 assume para o ambiente social, económico e cultural atual da RAEM, não é particularmente significativa a concordância manifestada pelo grupo de referência relativamente à concessão de autorizações de residência e de trabalho aos portugueses na RAEM na atualidade”, defende o autor. “Por outro lado, a qualidade dessa presença parece ter igualmente perdido impacto no processo de construção da RAEM. O reconhecimento que é conferido à importância dos portugueses até 1999 não é acompanhado por um reconhecimento significativo do seu papel atual, se se tomar como referência a sua pertinência relativa face a outras comunidades. A representação expressa de que os portugueses não se distinguem, em termos de importância, face a outras comunidades migrantes, apesar desse capital acumulado no passado, parece também apontar para uma necessidade de preservação, por parte do endogrupo, de uma nova ordem social que chame a si a liderança dos processos e diminua o espaço de ação de outros”.
Um dado mais: as mulheres de etnia chinesa inquiridas pelo investigador entendem que “os portugueses vêem tendencialmente os chineses como inferiores” o que terá “certamente implicações ao nível da referida qualidade da participação reservada aos portugueses no desenvolvimento da RAEM”.
A importância da língua portuguesa
É aqui que entra a relevância da língua portuguesa, quando se analisam os “vestígios da presença portuguesa que concorrem para a singularização de Macau no contexto da RPC, tanto uma necessidade (reconhecida na Lei Básica da RAEM), como uma oportunidade”.
Nas conclusões da dissertação, João Laurentino Neves dá conta de uma certa ambiguidade face à prevalência e à importância do idioma de Camões: “(…) Se o seu estatuto como língua oficial parece recolher o consenso entre as inquiridas, o mesmo não se regista relativamente à obrigatoriedade do seu ensino curricular. A decisão deve, assim, do seu ponto de vista, permanecer sob sua opção individual, não se tratando, portanto, de um conteúdo identitário”, assinala o director do IPOR. Neves acrescenta que “o interesse significativo (de que as próprias inquiridas são exemplo) em torno da aprendizagem de uma língua que, apesar de ter acompanhado largos anos de administração portuguesa, pouco foi difundido entre a comunidade chinesa parece, assim, assentar numa representação essencialmente instrumental – a língua portuguesa está associada a uma perspetiva de mobilidade profissional (e social) que decorre, em larga medida, de opções estratégicas conjunturais da política da RPC. Por si só, este interesse pelo Português poderá, por este motivo, não alavancar mais e melhores contactos e relações intergrupais, nem constituir oportunidade adicional para portugueses”.
O PONTO FINAL contactou o director do IPOR com o objectivo de avaliar a disponibilidade para abordar algumas das questões suscitadas pela dissertação, mas João Laurentino Neves defendeu que a própria tese fala por si: “Pelas suas características, a reflexão efetuada tem um contexto e um alcance próprios. Apenas me parece oportuno salientar que reforça a importância da inclusão e da promoção de competências interculturais em todas as intervenções de carácter formativo, onde se inclui o ensino de línguas.”
Como foi feito o estudo?
A partir da pergunta-base “Exibem as imagens dos portugueses construídas por mulheres chinesas de Macau traços favoráveis ao desenvolvimento de relações intergrupais positivas com os portugueses, abrindo espaço à participação destes na construção da RAEM?”, João Laurentino Neves juntou “175 mulheres de nacionalidade chinesa residentes em Macau, que frequenta[va]m, no momento da recolha, formações em Língua Portuguesa oferecidas pelo Instituto Português do Oriente, a cujo acesso tínhamos facilitado”.
Houve uma amostra inicial de 50 mulheres “composta por 30 estudantes, 12 funcionárias públicas e 8 quadros de empresas locais, com habilitações que se situam entre o ensino secundário (22) e o ensino superior (28), de quatro faixas etárias pré-definidas: menos de 20 anos (20), 21- 30 anos (14), 31-40 (12) e 41-50 anos (4)”.
Num segundo momento, “– o inquérito principal – participaram as 175 mulheres que compunham a amostra, pertencentes aos mesmos grupos etários de -20 anos (53), 21-30 anos (83), 31-40 (34) e 41-50 anos (5). São naturais de Macau 148 das participantes no estudo, enquanto 26 (14,86 por cento) nasceram na China continental e 1 (0,57 por cento), tendo nacionalidade chinesa, nasceu na Birmânia. Os dados recolhidos referentes à sua ocupação situam 38,29 por cento como estudantes - 22,29 por cento dos quais no ensino secundário (39) e 16,0 por cento no ensino superior (28) - sendo 46,86 por cento (82) funcionários da administração pública da RAEM, 13,71 por cento (24) trabalhadores por conta de outrem em empresas e 1,14, por cento (2) trabalhadoras por contra própria”.
O autor explica ainda que se socorreu do “acompanhamento por parte de um tradutor no processo de construção dos instrumentos de recolha e no tratamento da informação recolhida (nas questões abertas e semiabertas) e que recorreu a três inquiridores de língua materna chinesa, que conduziram a aplicação dos instrumentos de recolha, explicitando-os aos inquiridos. Por fim, Neves privilegiou a utilização do chinês tradicional nos caracteres chineses usados nos instrumentos de recolha distribuídos”.
O novo mestre em relações interculturais não deixa que lembrar que “registando as limitações que a seleção da técnica de amostragem operada trouxe ao estudo em termos da sua representatividade, assim não assegurada, fez o mesmo, no entanto, apelo a uma amostragem não probabilística por conveniência assente, essencialmente, em razões operacionais”.
A tese de João Laurentino Neves sobre as imagem dos portugueses radicados no território e as relações interculturais entre as duas comunidades historicamente mais relevantes da RAEM pode ser acedida na íntegra em https://repositorioaberto.uab. |
Mostrar mensagens com a etiqueta Actualidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Actualidade. Mostrar todas as mensagens
domingo, 26 de junho de 2016
MACAU: "Mulheres de Macau não querem chefes nem namorados portugueses"
quinta-feira, 23 de junho de 2016
MACAU- Condomínios: Governo quer mecanismos de mediação mais eficazes
O objectivo é evocado no âmbito da lei sobre a administração das partes comuns do condomínio, que vai prever a utilização de uma entidade independente do Governo, à imagem do Centro de Arbitragem do World Trade Center, para evitar “conflitos de interesses”.
João Santos Filipe
"O Governo quer que os mecanismo de mediação sejam mais utilizados e eficazes na resolução de diferendos entre os condóminos, nomeadamente no que toca à aplicação de sanções internas. Este é um dos objectivos da nova lei sobre a administração das partes comuns do condomínio, que pretende evitar que as discórdias acabem nos tribunais da RAEM.
Neste sentido, além dos serviços de mediação e arbitragem que podem ser efectuados no Centro de Arbitragem de Administração Predial do Instituto de Habitação, que é uma entidade pública, o Governo quer que os moradores em litígio possam igualmente recorrer a uma terceira parte ou organismo independente.
“Com os regimes actuais em vigor, os resultados do Conselho Arbitral não conseguem ser satisfatórios porque as pessoas não os usam. Nos últimos anos só houve 3 ou 4 casos com resultados satisfatórios”, explicou ontem o presidente da 2.ª Comissão Permanente, Chan Chak Mo, organismo que se encontra a discutir a lei na especialidade.
No serviços de mediação, as duas partes chegam a um acordo conciliatório, que coloca um fim ao caso. Mas se esse acordo não for conseguido, é pedido ao Conselho Arbitral do Instituto de Habitação, enquanto entidade imparcial, que faça a arbitragem do caso e tome uma decisão.
No final, se uma das partes não concordar com a decisão do IH, pode levar a questão para o tribunal, que é o passo que o Governo quer evitar. No entanto, o Governo quer que a mediação e a arbitragem seja também feita por uma terceira entidade, nomeadamente nos casos em que possa haver “conflitos de interesse” na actuação do Instituto de Habitação, explicou o presidente da 2.a Comissão: “O Governo ainda não explicou quem vai ser a terceira parte responsável pela arbitragem. Ainda não sabemos o nome”, disse ainda Chan Chak Mo.
No entanto, foi explicado na reunião que esta entidade deve funcionar num modelo semelhante ao Centro de Arbitragem do WTC de Macau, que opera no Centro de Comércio Mundial de Macau, na Avenida da Amizade. Esta entidade privada tem como objectivo a resolução de diferendos com meios alternativos não contencioso.
Aliás não está afastada a hipótese de ser mesmo este Centro de Arbitragem a assumir essa função. O Centro de Arbitragem do WTC foi criado em 1998 e tem como presidente do Conselho Geral o deputado Chui Sai Cheong, de acordo com o portal online da entidade, que é também membro da 2.ª Comissão Permanente.
Além disso estão envolvidos nos trabalhos do centro, o deputado Gabriel Tong Io Cheng, como árbitro, sendo também membro da 2.ª Comissão Permanente da AL, e Tommy Lau Veng Seng, membro da 3.ª Comissão Permanente."
|
quarta-feira, 22 de junho de 2016
MACAU: Au Kam San quer mais estátuas das personalidades que marcaram o território
|
segunda-feira, 20 de junho de 2016
MACAU: "Se aconteceu em Hong Kong também pode acontecer em Macau"
|
domingo, 19 de junho de 2016
MACAU - Comerciante chinês burlado por um homem de Macau em 17 milhões
by Ponto Final |
"Um homem de Macau, de 28 anos, é suspeito de se ter feito passar pelo director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, tendo falsificado vários contratos para burlar um comerciante da China Continental em 17 milhões de patacas. O dinheiro teria sido pago para que o falso governante facilitasse a abertura de uma empresa no território.
A Polícia Judiciária encontrou 410 mil patacas na residência do suspeito, tendo sido o restante depositado numa conta bancária na República Popular da China.A namorada do suspeito foi igualmente detida, de acordo com notícia avançada pela emissora em língua chinesa da Rádio Macau.
A Judiciária deteve o homem, que andava a recusar os contactos da vítima, depois de a ter convencido a entrar num negócio que envolvia a gestão de várias garagens em Macau e negócios com veículos amigos do ambiente. A vítima terá feito vários pagamentos e esperou durante mais de um ano por negócios que nunca se chegaram a concretizar."
sábado, 18 de junho de 2016
MACAU: Receitas públicas caíram 14,3 por cento até Maio
Nos cinco primeiros meses do ano, o Governo arrecadou receitas de 39 945 milhões de patacas. O montante representa uma contracção de 14,3 por cento face aos proveitos obtidos nos cinco primeiros meses do ano passado.
"As receitas da administração pública caíram 14,3 por cento nos primeiros cinco meses de 2016, mas as finanças do território continuam a apresentar um saldo positivo equivalente a mais de 1,8 mil milhões de euros, revelou ontem o Governo.
De acordo com dados provisórios publicados esta quinta-feira no portal da Direcção dos Serviços de Finanças, a Administração da RAEM arrecadou, até Maio, receitas totais de 39.945 milhões de patacas, as quais estavam cumpridas em 43,4 por cento.
Os impostos directos sobre o jogo – que são, recorde-se, de 35 por cento sobre as receitas brutas dos casinos – foram de 33.033 milhões de patacas (3.665 milhões de euros), reflectindo uma diminuição de 14,1 por cento face ao período homólogo de 2015, com a taxa de execução de 46 por cento.
A importância do jogo reflecte-se no peso que o imposto detém no orçamento e nas contas públicas do território e que é de 82,6 por cento nas receitas totais, de 83,2 por cento nas correntes e de 95,3 por cento nas derivadas dos impostos directos.
No capítulo da despesa verificou-se um aumento de 11,6 por cento face aos primeiros cinco meses de 2015, para 23.590 milhões de patacas – impulsionado por um crescimento de 13,9 por cento nos gastos correntes –, com a taxa de execução a corresponder a 26,6 por cento do orçamentado autorizado para 2016.
Outro impulso deu também o PIDDA – Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração: foram gastos 1.032 milhões de patacas – mais 58,8 por cento em termos anuais homólogos. Pese embora o aumento, o PIDDA encontra-se executado em apenas 9,3 por cento face ao orçamentado para todo o ano.
Assim, entre receitas e despesas, a Administração de Macau acumulou um saldo positivo de 16.355 milhões de patacas, excedendo largamente o previsto para todo o ano (3.466 milhões de patacas), com a taxa de execução a atingir 471,4 por cento do orçamentado, isto apesar de a ‘almofada’ financeira ter emagrecido 35,8 por cento face aos primeiros cinco meses do ano passado.
A Administração de Macau encerrou 2015 com receitas totais de 109.778 milhões de patacas, a primeira queda registada em pelo menos cinco anos."
|
sexta-feira, 17 de junho de 2016
MACAU: Mulher e filho de Zhou Yongkang condenados por corrupção
by Ponto Final |
"A mulher e o filho do ex-chefe da Segurança da República Popular da China, Zhou Yongkang, condenado no ano passado à prisão perpétua por corrupção, foram punidos com nove e 18 anos na cadeia, respectivamente, pelo mesmo crime.
Zhou Bin foi declarado culpado de aceitar subornos e realizar operações empresariais ilegais, segundo a agência oficial Xinhua,
O filho de Zhou Yongkang terá ainda de pagar uma multa fixada em 350,2 milhões de yuan.
A esposa de Zhou, Jia Ziaoye, de 46 anos, foi também multada em um milhão de yuan, por aceitar subornos, de acordo com o jornal oficial Global Times."
quinta-feira, 16 de junho de 2016
MACAU - Activistas da Novo Macau acusados de desobediência
"O presidente da Associação Novo Macau, Scott Chiang, está a ser investigado pela Polícia de Segurança Pública (PSP) por alegada desobediência às autoridades durante o protesto de 15 de Maio em que foi pedida a demissão de Fernando Chui Sai On.
O dirigente da organização pró-democrática revelou ontem que foi intimado pela polícia para se deslocar à esquadra a fim de ser interrogado sobre a manifestação de 15 de Maio. Outros militantes da Novo Macau receberam intimações semelhantes, esclareceu Scott Chiang.
Questionada pela agência Lusa, a Polícia de Segurança Pública confirmou a informação e indicou que o activista é “acusado de agravação de desobediência à polícia”. Segundo as autoridades, após a manifestação, a polícia entregou um relatório ao Ministério Público, que ordenou “mais averiguações”.
A manifestação do passado dia 15 de Maio pedia a demissão de Chui Sai On. Durante o protesto, os participantes estiveram parados durante uns minutos na Avenida da Praia Grande, uma vez que a rua foi bloqueada pela polícia, em cumprimento de uma decisão do Tribunal de Última Instância, que não permitiu que os manifestantes seguissem pela estrada.
Nesse dia, em comunicado, a PSP indicou que o grupo, “não obedecendo à decisão do Tribunal de Última Instância, nem às instruções indicadas por esta polícia, recusou utilizar os passeios que os agentes no local indicaram, obstando deliberadamente o trânsito (…) e provocando momentos de disputa com os condutores”.
Em seguida, um grupo mais pequeno seguiu Scott Chiang até à Colina da Penha, para deixar na caixa do correio da residência oficial do chefe do Executivo uma carta com as reivindicações, deparando-se com a estrada cortada.
A manifestação terminou com os participantes a transformarem as reivindicações impressas em pequenos aviões de papel que foram lançados, por cima do muro, para o interior de Santa Sancha.
Sobre isto, a polícia afirmou também, nesse dia, que os manifestantes se desviaram “sem dar nenhum aviso legal”, “ocuparam ilegalmente as vias públicas” e recusaram responder à ordem de dispersão, levando à “confusão do trânsito naquela zona”. Face à situação, “a polícia exprime a sua repreensão rigorosa”, rematou.
Ao início da tarde de ontem, antes de a polícia ter revelado qual a infracção de que Chiang era acusado, o presidente da Novo Macau lamentou que “quando alguém aponta um problema, a resposta natural da administração não seja focar-se no problema mas ir atrás dos que o apontaram”.
A associação garantiu que não se “deixará intimidar” pelo que considera sinais de “perseguição política”.
|
quarta-feira, 15 de junho de 2016
MACAU - Aposta na língua portuguesa em números
"Um total de 33 instituições de ensino privadas abriram cursos formais e complementares de português no ano lectivo 2015/2016, abrangendo 3800 estudantes, um aumento de 20 por cento comparativamente ao ano lectivo anterior. Foi com estes e outros números que o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) respondeu a uma interpelação escrita do deputado Si Ka Lon, que quis saber como o Executivo estava a assumir em termos de políticas educativas o desafio do 12.º Plano Quinquenal da China para posicionar Macau como “Plataforma de Serviços para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.
Na interpelação que dirige ao Executivo, Si Ka Lon aponta o dedo à política linguística do governo: a grande maioria das escolas privadas tem o inglês como segunda língua no ensino não superior e não o português. Por sua vez, as universidades apenas oferecem cursos de iniciação, não permitindo a continuidade no desenvolvimento do português dos alunos que já o estudaram no secundário. Em carta assinada pelo seu coordenador, Sou Chio Fai, o GAES responde que o Governo não tem estado de braços cruzados e que irá continuar a promover a abertura de mais cursos de português nas escolas através da inclusão do “Curso de língua portuguesa” no Fundo de Desenvolvimento Educativo para o próximo ano lectivo.
Sou Chio Fai nota ainda que tanto a Universidade de Macau como o Instituto Politécnico de Macau (IPM) têm feito apostas no ensino do português no âmbito dos seus cursos. Além disso, o responsável observa que, até ao dia 15 de Abril deste ano, o Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo tinha subsidiado 158 cursos de português e 21 exames de certificação em Macau e no exterior, tendo beneficiado 1500 cidadãos, com subsídios que ascenderam a 1,5 milhões de patacas."
|
terça-feira, 14 de junho de 2016
MACAU - Associação Novo Macau quer escolas privadas abertas a todos os candidatos
A igualdade no acesso às escolas privadas financiadas com dinheiro público e a aplicação do limite aos gastos de campanha são as grandes preocupações da associação no que diz respeito à nova lei eleitoral. O organismo organizou ontem uma conferência de imprensa em que passou a proposta do Governo a pente fino.
João Santos Filipe
"A Associação Novo Macau quer que as escolas privadas que recebem subsídios do Governo permitam que os candidatos à Assembleia Legislativa organizem eventos dentro das instalações, sem qualquer tipo de discriminação. Este desejo faz parte das sugestões que o movimento liderado por Scott Chiang fez em relação à nova lei eleitoral e que ontem foram apresentadas numa conferência de imprensa.
“Queremos a abertura das escolas privadas que recebem subsídios públicos a todos os candidatos de forma igualitária. Não queremos que alguns candidatos apoiados pelos membros das direcções das escolas possam fazer campanha, enquanto a mesma escola está fechada aos outros candidatos”, afirmou o presidente da Associação Novo Macau.
A questão em causa faz parte de uma queixa relacionada com as eleições anteriores, quando durante a campanha eleitoral alguns candidatos foram barrados em algumas instituições de ensino, como o escola Hou Kong, explicou o vice-presidente da Associação Novo Macau, Jason Chao.
“Sugerimos que haja uma política de porta aberta em todas as escolas. Também admitimos que a porta esteja fechada, desde que esteja garantido um tratamento igual para todos”, acrescentou Scott Chiang.
Outra das questões abordadas pela associação pró-democrata prende-se com a aplicação do limite de gastos da campanha. A Associação Novo Macau está preocupada que a lei acabe por ser contornada: “Actualmente o sistema exige que seja guardado um livro com o registo das despesas da campanha. Depois a comissão verifica os valores declarados no livro e se a matemática estiver correcta é tudo aprovado”, afirmou o líder da associação. “Isto significa que a Comissão dos Assuntos Eleitorais não vai às campanha ver se as despesas apresentadas correspondem aos gastos efectivos”, frisou.
O grupo democrata está igualmente preocupado com as actividades de campanha promovidas por pessoas e associações próximas dos candidatos, que acabam por não ser consideradas no controlo das despesas.
“Gostávamos que a lei de seguisse o exemplo de Hong Kong, onde a partir do momento em que se está em campanha, qualquer actividade que sirva para beneficiar o candidato conta para as suas despesas”, afirmou Chiang.
“Com este modelo de Hong Kong, mesmo que o candidato não esteja envolvido directamente, ele vai acabar por pedir aos amigos que não façam nada que o possa prejudicar”, acrescentou Jason Chao.
Além disso, a Associação Novo Macau quer também que a Comissão para os Assuntos Eleitorais tenha os seus poderes reforçados para ser dotada de autoridade de investigação para definir que eventos são parte da campanha.
Por último, o grupo deixou críticas à interrupção por parte do Governo do livro com informação compilada sobre todas as candidaturas, que era enviado por Correio. A medida, considerada a associação, nega o acesso à informação dos eleitores que não estão familiarizados com as novas tecnologias."
|
segunda-feira, 13 de junho de 2016
MACAU: Macau pode ser exemplo para a integração de Olivença na UCCLA
|
Subscrever:
Mensagens
(
Atom
)


